Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 13/09/2023
Órgãos são conjuntos de tecidos essenciais que realizam diversas funções vitais para o ser humano, mas que, infelizmente, mais de 60 mil brasileiros, segundo relatórios do Sistema Nacional de Transplantes, estão na fila para receber um transplante desse membro tão importante. Desse modo, pode-se citar os tabus que envolvem essa prática e a pouca atenção governamental ao tema como os principais fatores que dificultam o acesso desses brasileiros à um órgão. Portanto, a doação dele é um ato nobre que pode ser a única esperança de vida de diversas pessoas que esperam há muito tempo em uma fila gigantesca.
Em primeira análise, as superstições e tabus que estão em torno da doação de órgãos são os principais responsáveis pela dificuldade da adoção da prática. Nessa linha de raciocínio, mesmo que com o simples aval delas, dados do Ministério da Saúde apontam que 40% das famílias se recusam a doar órgãos de algum parente falecido, pois acreditavam que o corpo ficaria deformado ou que seus órgãos seriam vendidos. No entanto, a venda de órgãos é proibida por lei no Brasil e os órgãos são removidos cirurgicamente, não causando desfiguração ao corpo. Portanto, é visto que a ignorância sobre o tema pesa muito na hora da decisão.
Em segunda análise, a falta de campanhas e de investimentos por parte do governo dificultam muito o processo do transplante de órgãos. Nesse sentido, pode-se falar do dado disponibilizado pela Secretaria Estadual de Saúde, constatando que 60% dos fígados disponibilizados são recusados pelas equipes médicas por falta de infraestrutura, um desperdício absurdo. Além disso, a taxa de doação de órgãos caiu em mais de 20% em 2021 quando comparado a 2020, mostrando a completa ineficácia das políticas públicas. Portanto, é visível que é necessária uma maior atenção por parte do governo à essa questão.
Então, diante do que foi exposto, pode-se concluir que ofertar um órgão é muito necessário, mas a falta de informação dificulta a prática. Assim, o governo deve aumentar os investimentos, por meio do Ministério da Saúde, na infraestrutura dos hospitais, que poderão assim ter condições de realizar todas as cirurgias possíveis, e em campanhas que quebrem as superstições envoltas no assunto, para assim possibilitar uma vida melhor aos brasileiros que necessitam de um órgão.