Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 13/09/2023

É evidente que lacunas precisam ser preenchidas para resolver o problema da doação de órgãos no Brasil. Em 1954 o médico Joseph Murray foi o responsável por realizar o primeiro transplante de órgão humano no mundo e ganhou o Prêmio Nobel por isso. Mesmo com a evolução da medicina, ainda existem pessoas que se sentem inseguras com relação ao procedimento ou que não sabem o impacto positivo que esse ato pode causar na vida de muitos seres humanos. Portanto, é fundamental discutir sobre o assunto.

A princípio, é relevante ressaltar que uma parte muito pequena das mortes encefálicas é revertida em doação de órgãos. De acordo com a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), apenas 1.800 doações das 6 mil possíveis em 2012 foram autorizadas pelas famílias dos pacientes com morte cerebral. Dessa forma, é possível aferir que por conta da falta de esclarecimento desses indivíduos acerca do processo de retirada dos órgãos, a tendência natural é a negação, já que não é comum que campanhas sobre o tema sejam veiculadas na televisão ou nas redes sociais. Diante disso, há as pessoas que acreditam até que pode haver até roubo dos órgãos como forma de corrupção nos hospitais, complicando a situação de quem aguarda na lista de transplantes.”

Outrossim, apesar de existir um bom funcionamento da instituição de saúde quanto aos transplantes de órgãos, considerando que, ainda segundo o jornal O Globo, 93% dos procedimentos são feitos pelo SUS, pouco investe-se na assimilação individual acerca da importância da doação. Esse assunto e seus devidos esclarecimentos não são pautas comuns nas escolas, desde o ensino fundamental até o ensino médio, nem mesmo nas aulas de biologia. Dessa forma, tornam-se imprescindíveis as ações governamentais que assegurem a idoneidade da fila de espera para transplante no Brasil. Para tanto, caberá ao Ministério da Saúde, em conjunto com a Polícia Federal, capacitar profissionais médicos e policiais por meio de treinamentos periódicos para que os mesmos promovam ações de fiscalização ativa nas instituições de saúde por intermédio de auditorias mensais, cujos propósitos deverão ser a validação dos critérios de inclusão na fila para transplantes.