Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 27/09/2023

Segundo o filósofo Rousseau, a vontade geral deve emanar de todos para ser aplicada a todos. Contudo, com os incontáveis desafios para a ampliação da doação de orgãos no Brasil, nota-se que o governo federal poupa esforços para combater esse problema, uma vez que os números relacionados a essa grave questão sociocultural ainda não são muito expressivos. Por isso, é importante investigar os impactos da escassez de orgãos doados no país, ao abordar impasses como a deficiência escolar no que tange ao assunto e a persistência da desinformação difundida pelo senso comum.

Nesse contexto, é importante observar que a cultura de doar os orgãos no Brasil é algo pouco discutido no cenário educacional. Acerca disso, de acordo com a professora Vera Maria Candau, o sistema de ensino está preso nos moldes do século XIX e não se atenta às inquietudes hodiernas. De maneira análoga à ideia da intelectual, muitas instituições de ensino focam no rendimento escolar e deixam em segundo plano a formação cidadã dos alunos. Logo, essa negligência dos educandários colabora para que o baixo número de doações continue a ser um empecilho, já que não há esforços significativos para a reversão desse quadro.

Também, como consequência dessa alienação, percebe-se que o ato de doar é um assunto que poucas pessoas discutem no ambiente familiar. Conforme o filósofo Heráclito de Éfeso, nada é permanente, exceto a mudança, ou seja, a sociedade está propensa às transformações. Porém, se o Estado não agir, o senso comum de que os indivíduos, após a morte, devem escolher entre ser cremados ou enterrados, perpetuará.

Portanto, é evidente que os entraves para a realização de transplantes configura-se como um impasse que precisa ser resolvido para atenuar as estatísticas de mortalidade no país. Logo, cabe ao Ministério da Educação - órgão federal responsável pelo ensino no Brasil - incluir na grade escolar aulas que promovam mudanças gradativas na sociedade a fim de assistir aqueles pacientes que têm o transplante como última opção para preservar a vida, por meio do investimento e incentivo governamental, o qual irá promover avanços positivos que atuarão diretamente na diminuição da imparcialidade das pessoas.