Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 04/10/2023

“Não há nada mais duro que a suavidade da indiferença”. A afirmação, atribuída ao escritor Juan Montalvo, se encaixa facilmente aos dilemas da doação de órgãos, visto que é justamente o sentimento de indiferença sobre o assunto que cristaliza essa problemática no corpo social brasileiro. Desse modo, agravam o quadro cen-tral o desconhecimento populacional e a rejeição familiar.

Nesse contexto, é evidente que os dilemas da doação de órgãos muitas vezes es-tão enraizados no desconhecimento da população em relação ao processo e à im-portância desse ato altruísta. Visto que segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), apesar do aumento no número de doadores no Brasil, ainda há uma notável carência de informação sobre o assunto. Dessa forma, a falta de conscientização dificulta a captação de órgãos e retarda a espera de mi-lhares de pacientes por um transplante. Diante disso, é crucial implementar pro-gramas de conscientização e educação pública para dissipar mitos, fornecer infor-mações precisas e incentivar mais indivíduos a se tornarem doadores.

Além disso, a rejeição familiar é outro fator que cristaliza ainda mais essa conjun-tura. Isso ocorre porque, segundo a ABTO, estima-se que em cerca de 43% dos ca-sos as famílias se recusam a autorizar a doação, mesmo quando o indivíduo já ha-via expressado sua vontade em vida. Nesse viés, essa rejeição pode ser motivada por crenças culturais, falta de informação ou simplesmente pelo momento emocio-nal delicado. Por isso, é essencial investir em campanhas educacionais também pa-ra as famílias, a fim de informá-las sobre a importância da doação de órgãos e res-peitar a vontade do doador falecido, garantindo que mais vidas sejam salvas.

Portanto, diante da situação exposta, o governo federal, através do Ministério da Saúde, deve, por meio de palestras nas escolas, fomentar o debate sobre essa cau-sa. Isso incluirá a participação de médicos, a fim de conscientizar sobre a importân-cia da doação e esclarecer todas as dúvidas e mitos, bem como a necessidade de cada um se declarar doador para seus entes próximos, caso opte por doar. Ade-mais, lançar nas grandes mídias campanhas voltadas para a importância do respei-to à vontade do doador pela família, para que sua escolha seja aceita. Assim, criará uma sociedade empática e sem indiferenças sobre a doação de órgão.