Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 12/10/2023
No filme “Dois corações”, o protagonista teve morte encefálica e doou seus órgãos que puderam salvar até cinco pessoas. Assim como na ficção, a doação de órgãos no Brasil pode salvar inúmeras pessoas, porém enfrenta diversos desafios que dificultam o processo. Entre os diversos dilemas estão a negligência estatal e o preconceito da sociedade perante o tema, que precisa ser discutido.
Sob esse viés, é importante destacar que, segundo o Ministério da Saúde, o Brasil é o segundo maior país em transplantados do mundo com aumento de 63,3% nos últimos dez anos. Entretanto, a negligência estatal dificulta o crescimento ainda maior desse número na medida em que compactua com as filas de espera exaustivas. De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o governo dificulta ainda mais o sucesso em transplantados, no qual cerca de 16 mil a cada 100 mil morrem aguardando sua cirurgia.
Além disso, o preconceito da sociedade é outro dilema enfrentado pela doação de órgãos no Brasil. Para o médico da fundação InCor, um único doador pode salvar até dez vidas. Porém, de acordo com a legislação vigente, essa doação precisa da autorização da família, que muitas vezes ignora a vontade do doador. Segundo a ABTO, 46% das famílias recusam a doação de órgãos de seus familiares, o que se torna um dos maiores entraves sobre o tema no Brasil.
Infere-se, portanto, que a doação de órgãos no Brasil enfrenta inúmeros dilemas. Por isso, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, implantar novos meios para doação de órgãos no Brasil, como investimento em biotecnologia a fim de conseguir diminuir a fila de transplantes com cirurgias mais simples. Além disso, que a mídia, principal difusora de informações, crie campanhas através de redes sociais e programas televisivos, que diminua o tabu e mostre pessoas que sobreviveram através da doação de órgãos, assim como em “Dois Corações”, para diminuir os dilemas sobre o tema.