Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 28/10/2023

É evidente que lacunas precisam ser preenchidas para resolver o problema da doação de órgãos no Brasil. Em 1954 o médico Joseph Murray foi o responsável por realizar o primeiro transplante de órgão humano no mundo e ganhou o Prêmio Nobel por isso. Mesmo com a evolução da medicina, ainda existem pessoas que se sentem inseguras com relação ao procedimento ou que não sabem o impacto positivo que esse ato pode causar na vida de muitos seres humanos. Portanto, é fundamental discutir sobre o assunto.

Primeiramente é importante enfatizar a precária infraestrutura hospitalar com relação à doação de órgãos. De acordo com dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), 70% do material doado não é utilizado a tempo. Isso porque faltam equipamentos adequados para o transplante de órgãos e preparo por parte das equipes médicas. Frequentemente os hospitais estão lotados e os profissionais sobrecarregados, por isso o indivíduo que tem morte encefálica, por exemplo, não recebe os cuidados adequados para que o transplante aconteça.

Deve-se ressaltar também que o impedimento das famílias para a doação dos órgãos é um empecilho a ser superado. No documentário “Anjos da Vida”, que mostra o trabalho de médicos e enfermeiros da Unicamp, há uma cena em que a enfermeira convence a familiar de uma potencial doadora a autorizar o transplante. Para que isso aconteça é necessário realizar a abordagem correta, respeitando principalmente o momento de luto da família que perdeu ente querido. Assim, a falta de preparo para lidar com a situação faz com que a fila de pessoas que aguardam um transplante cresça cada vez mais.