Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 23/03/2024

Embora a Constituição federal de 1988 assegure o acesso à saúde como direito de todos, percebe-se que, na atual realidade brasileira,não há o cumprimento dessa garantia, principalmente no que diz respeito à doação de orgãos. Isso acontece devido ao silenciamento social sobre a importância da doação de órgãos e à omissão estatal nas campanhas de conscientização dessa temática.

Primeiramente, vale destacar que a falta de informação agrava o dilema. Nesse sentindo, Jean-Paul Sartre afirma, em sua obra “O ser e o nada” ,que existe o conceito conhecido como “Acomodação Social” segundo o qual há alguns temas sociais banidos da discussão coletiva. Sob a lógica de Sartre, a discussão acerca da doação de órgãos, apesar de relevante para aqueles que aguardam por um ato solidário, não recebe a devida importância. Essa falta de diálogo, contudo, promove o baixo índice de doação e , consequentemente, uma grande fila de espera, afinal , segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, a taxa de recusa da família em fazer a doação é em torno de 43% no Brasil, enquanto a média mundial é de 25%. Desse modo, é incoerente que o Brasil ainda conviva com o arcaico silenciamento social sobre um tema tão relevante.

Ademais, a inércia estatal motiva a continuidade da problemática.Nesse sentido, Norberto Bobbio, expoente filósofo italiano, afirma que as autoridades devem não apenas ofertar os benefícios da lei, mas também garantir que a população usufrua deles na prática. Tal negligência, prejudica os enfermos que necessitam de doação de órgãos, haja vista