Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 14/05/2024

A Constituição Federal promulgada em 1988 assegura que todos os cidadãos tenham direito à saúde. Contudo, esse direito não tem sido assegurado, visto que a doação de órgãos ainda é um dilema a ser superado. Nesse sentido, é imperioso analisar os motivos que tornam essa problemática uma realidade.

Sob essa perspectiva, é válido ressaltar a escassez de órgãos versus demanda crescente como potencializador do problema. Segundo a United Network for Organ Sharing (UNOS), uma organização que gerencia o sistema de transplante de órgãos nos EUA, em 2022, havia mais de 107.000 pacientes na lista de espera por transplantes de órgãos. Assim, é nítido que não há doações de órgãos suficientes para que toda demanda seja cumprida, contribuindo, lamentavelmente, para o aumento da taxa de mortalidade nas filas de espera.

Ademais, é válido ressaltar ainda a falta de infraestrutura como entrave para a doação de órgãos. Conforme um relatório do Departamento de Transplante de Órgãos do Nepal, o país enfrenta escassez crítica de centros de transplante e de profissionais de saúde qualificados para realizar esses procedimentos. Dessa maneira, o acesso à infraestrutura resulta na impossibilidade de que órgãos sejam doados e, consequentemente, as filas de espera aumentam cada vez mais e a taxa de doação decai continuamente. Portanto, faz-se de suma importância a dissolução dessa conjuntura.

Urge, pois, que medidas sejam encontradas para coibir a questão. É necessário que o Governo, em parceria com a mídia, a exemplo de TV e jornais, invista na construção de centros especializados e crie campanhas engajadas na doação de órgãos por meio de direcionamento de verbas e exposições no meio digital, com o objetivo de proporcionar a infraestrutura adequada e aumentar a oferta de órgãos doados. Espera-se, com isso, que o acesso à saúde seja democratizado, de modo que se cumpra o que foi estabelecido na Constituição de 1988.