Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 02/11/2024
De acordo com Aristóteles, “A base da sociedade é a justiça”. Entretanto, o contexto do Brasil do século XXI contraria-o, uma vez que as dificuldades encontradas para a doação de órgãos demonstram-se como uma questão de injustiça, o que desestrutura a base da sociedade brasileira. Nesse contexto, no que tange à questão dessas dificuldades, percebe-se a configuração de um grave problema em virtude do legado histórico e da falta de legislação.
Convém ressaltar, a princípio, que o legado histórico é um fator determinante para a persistência do problema. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, as dificuldades à doação de órgãos, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas à história brasileira, o que dificulta ainda mais sua resolução.
Além do mais, ressalte-se que a falta de legislação também configura-se como um entrave no que tange à questão das dificuldades existentes para a doação de órgãos no Brasil. Segundo Umberto Eco, “para ser tolerante é preciso fixar os limites do intolerável”. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna, explicitada pela falta de uma legislação adequada. Assim, sem base legal, ações de remediação são impossibilitadas, o que acaba por agravar ainda mais as dificuldades que surgem para a efetivação da doação de órgãos no Brasil.
Sendo assim, é indispensável a adoção de medidas capazes de assegurar a resolução do problema. Faz-se necessário, pois, que MEC em parceria com o PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) desenvolvam uma atualização nos livros didáticos de História, por meio da sugestão de projetos que discutam o legado histórico brasileiro relacionando-o a problemas atuais. Ademais, tais projetos poderiam fomentar, até mesmo, a criação de uma Olimpíada de História para o século XXI, para que a questão da doação de órgãos no Brasil seja compreendida em sua totalidade e possa proporcionar avanços que o desamarrem de seu passado excludente. A partir dessas ações, espera-se promover a construção de um Brasil melhor.