Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 07/05/2025
Na obra cinematográfica “Uma segunda chance para amar”, um jovem chamado Tom era doador de órgãos e, vindo a óbito por conta de um acidente, seu coração foi doado para Kate, protagonista do filme. Entretanto, apesar do Brasil ser referência na doação de órgãos, diversos desafios distanciam a população da decisão do personagem citado, oriundos, principalmente, da recusa dos familiares e da ignorância a respeito do assunto.
De fato, a recusa dos familiares à doação de órgãos é um dos principais fatores que faz a fila de transplante de tecidos aumentar. Sobre isso, é válido lembrar que, mesmo a pessoa declarando-se doadora em vida, a família é quem tem a palavra final. Por esse motivo, o índice desse admirável ato, em 2024, caiu, em que quase metade das famílias recusaram a doação de órgãos de seus entes falecidos, segundo o G1. Isso acontece, na maioria das vezes, porque, no momento de tristeza, os parentes não têm a percepção dos impactos que a não autorização acarreta, como o aumento das mortes e das filas de espera.
Além disso, a ignorância a respeito dessa questão faz com que mais pessoas fiquem à espera da doação de órgãos. Sobre esse aspecto, a falta de informação sobre os procedimentos do transplante resulta em receios que dificultam a decisão de doar. Nesse contexto, casos como o do apresentador Faustão trouxeram mais visibilidade do tema à população, mas, apesar disso, ainda há uma lacuna nas mídias sobre informar os cidadãos e esclarecer dúvidas sobre como funciona esse procedimento. Esse cenário demonstra a necessidade de campanhas educativas para promover maior conhecimento no tocante ao transplante de órgãos.
Portanto, cabe ao indivíduo, em vida, expor sua decisão sobre ser doador. Essa ação deve ser executada por meio da conversa com um parente de primeiro grau - ente responsável pela permissão da doação de órgãos - e de uma autorização eletrônica, para que a equipe médica consiga saber que se trata de um doador e, com isso, facilitar o diálogo com a família. Ademais, também é de suma importância o engajamento da mídia nessa causa, a fim de promover as informações necessárias e incentivar a doação. Feito isso, tornar-se-á possível ter pessoas com atos mais solitários semelhantes ao personagem Tom.