Direito à saúde em questão no Brasil
Enviada em 19/04/2021
A desigualdade mata
No romance “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, o autor denuncia o abandono que os meninos de rua sofrem, principalmente no quesito de saúde. Em certo momento do livro, nos é exposto o medo deles da epidemia de “alastrim” (varíola), tal qual mata diversos dos meninos e da população pobre da Bahia, enquanto os homens ricos já eram vacinados. Isso expõe como nem todos os brasileiros têm o acesso necessário aos cuidados hospitalares, o que pode tornar toda a população vulnerável em episódios de crise de saúde pública, além de mostrar como a população pobre corre mais riscos e passa por mais dificuldades em questões de saúde, do que os ricos.
Tendo em vista determinantes sociais e econômicos, além dos raciais, é possível reconhecer que tais fatores são o que mais causam doenças na população brasileira, visto que o acesso necessário aos cuidados de saúde em hospitais é incerto. Dessa forma, os habitantes dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) e das Unidades Básicas de Saúde (UBS), que por falta de investimento do governo na saúde, não apresentam todo o aparato necessário para suprir as necessidades de todas as pessoas que precisam utilizá-los. Enquanto isso, a parte da população de classe média-alta pode valer-se de hospitais privados com tecnologia de ponta, por meio de seus planos de saúde e condições financeiras.
Além disso, com a pandemia de COVID-19 que iniciou-se em 2020, a desigualdade do acesso aos hospitais e cuidados necessários para a saúde ficou explícita. Isso ocorreu pois, com as restrições dos orçamentos para a saúde pública que o governo federal aplicou, a maior parte da população que dependia do Sistema Unificado de Saúde (SUS) deparou-se com um sistema de saúde precário e despreparado. Com isso, o indíce de mortalidade do COVID-19 é maior para a camada pobre da sociedade, e para as pessoas negras, que também são mais vulneráveis, segundo o estudo realizado pela organização não governamental (ONG) Instituto Pólis.
Em virtude dos fatos mencionados, é de extrema importância que o governo federal, articulado com o Ministério da Saúde, as Secretarias de Saúde estaduais e o Sistema Único de Saúde, proponham campanhas para diminuir ao máximo a incidência de doenças nas populações vulneráveis. Isso pode ser feito promovendo o saneamento básico, fazendo campanhas de vacinação e informando as pessoas sobre os riscos de doenças e como evitar algumas. Além disso, é indispensável que tenha mais investimento na área de saúde pública no Brasil, principalmente nos hospitais públicos e nas Unidades de Saúde Pública (UBS), que são mais acessíveis a maior parte da população. A desigualdade mata, assim como matou diversos dos Capitães da Areia.