Direito à saúde em questão no Brasil
Enviada em 23/08/2024
Vinte anos atrás eu concluía minha primeira pós graduação, em Administração Hospitalar e de Sistemas de Saúde, e lembro do dia em que estudamos o modelo brasileiro, o Sistema Único de Saúde. Perguntei ao professor como era possível supor que um modelo que se baseou na experiência do sistema de saúde inglês (com uma população incrivelmente menor que a brasileira) desse certo em um país de proporções continentais. Na hora ele me respondeu que se ele tivesse essa resposta, nossos problemas estariam resolvidos.
Passados vinte anos, o número de habitantes no Brasil aumentou, o custo da assistência médica também, mas parece que a falta de perspectiva sobre como colocar este avião para voar tranquilamente em modo cruzeiro, permanece a mesma. Poucos leitos, desigualdade na oferta de serviços, má qualidade de muitos dos serviços que são ofertados, uso político do sistema e má gestão pública ainda seguem uma triste realidade.
Onde está o problema? Seria o Brasil um país sem recursos - financeiros, humanos, estruturais - para bancar a idéia grandiosa que nasceu com a universalidade de oferta de acesso a serviços de saúde? Ou estariam estes recursos sendo utilizados para outros fins? Desviados para esquemas de corrupção, enriquecimento ilícito, projetos pessoais de poder, e tantas outras possibilidades já comprovadas na história recente do nosso país?
Assumo então a hipótese de que não há solução possível. Não sem antes realizarmos uma verdadeira revolução moral, cultural, educacional e quiçá espiritual em nosso país. Milhões de proprietários do SUS a serviço de sua fiscalização, organização, cuidado. Talvez assim em mais vinte anos possamos estar contando outra história, sobre o sucesso do maior projeto de assistência gratuita em saúde do planeta.