Direitos da terceira idade: Como enfrentar esse desafio nacional?

Enviada em 27/08/2019

A Declaração Universal dos Direitos Humanos - promulgada em 1948 pela Organização das Nações Unidas - asseguro o direito à saúde e ao tratamento às pessoas idosas. Entretanto, os desafios entorno do envelhecimento da população coloca em risco esses direitos internacionais. Com efeito, nota-se um sistema de saúde despreparado e o preconceito persistente sobre os idosos.

Em primeiro plano, os problemas no sistema político de saúde são obstáculos para a qualidade do envelhecimento. A essa respeito, o artigo 196 da Constituição Federal assegura a todos o direito à saúde, mas não estabelece quaisquer políticas de cuidado específicos para a terceira idade. Outrossim, de acordo com dados do Ministério da Saúde e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a expectativa para o país será de um geriatra para doze mil idosos. Assim, é evidente que o Brasil, mesmo avançando na expectativa de vida, ainda não dispõem de um sistema de saúde preparado para a demanda. Portanto, não é razoável que o Estado não tome iniciativas para lidar com o envelhecimento.

Por outro plano, há de se desconstruir o preconceito com a população idosa. Nesse contexto, o escritor alemão Franz Kafka, em sua obra “A Metamorfose”, faz alusão à sociedade contemporânea na relação homem-trabalho: o protagonista Gregor Samsa, quando impossibilitado de trabalhar e gerar lucro à família, se transforma em um “inseto monstruoso”. De maneira análoga, a metáfora de Kafka se aplica à velhice na contemporaneidade: quando envelhece, o cidadão perde sua função social e se transforma em um indivíduo sem utilidade ao capitalismo. No entanto, enquanto essa indiferença aos idosos se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver diariamente com o desrespeito.

Mediante ao elencado, impende, pois, uma ação conjunta entre indivíduos e poder público para construção de uma sociedade que valoriza o idoso. Sendo assim, faculdades públicas e privadas, por meio de palestras e aulas com especialistas na gerontologia, devem incentivar alunos ligados à saúde a especializaram na área do envelhecimento, com o objetivo de garantir no futuro a saúde de toda a população senil. Ademais, influentes digitais, mediante seus discursos nas redes sociais, compete veicular conteúdos que desconstruam preconceitos acerca dos idosos, a fim de fomentar práticas de respeito ao grupo supracitado. Dessa forma, poder-se-á garantir os direitos à terceira idade.