Direitos da terceira idade: Como enfrentar esse desafio nacional?

Enviada em 15/04/2020

Graças aos avanços da medicina, a expectativa de vida tende a aumentar no território brasileiro, mais especificamente dobrar o número de idosos até 2042 se comparados com os números de 2017, segundo pesquisa realizada pelo IBGE. Nesse sentido, nota-se que essa realidade impôs novos desafios às sociedades contemporâneas. Ao que diz respeito do bem-estar dos integrantes da terceira idade, o país mostrou desconsideração sobre suas necessidades econômicas e sociais básicas com aqueles que mais as necessitam.

Em primeira análise, nota-se que, no mundo contemporâneo, os avanços da tecnologia e a valorização do “novo”, também fundamentos da liquefação da modernidade, como analisado pelo sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman, arquitetaram uma realidade que, frequentemente, acaba por discriminar o idoso, vezes tratado como menos competente do que os mais jovens e considerado um fardo para a sociedade e famílias, em vez de valorizado por sua sabedoria e experiência. Em contrapartida, as pessoas mais velhas em países com altos níveis de respeito aos idosos relatam melhor bem-estar mental e físico, de acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, das Nações Unidas e outros.

Ademais, é notável não apenas o desrespeito ao idoso nas atitudes cotidianas, por exemplo, cenas onde se presencia idosos no Brasil em pé no transporte público, enquanto há jovens sentados e indiferentes, onde percebe-se o individualismo em sociedade, tal qual teorizado por Bauman, como também são reconhecidos problemas na infraestrutura das cidades que não viabilizam maior autonomia aos idosos. Um estudo da IBGE apontou que os grandes centros urbanos, embora já apresentem um perfil demográfico semelhante ao dos países mais desenvolvidos, ainda não dispõem de uma infraestrutura de serviços que dê conta das demandas das transformações demográficas vigentes.

Assim, torna-se evidente a necessidade de medidas que revertam essa situação. Primeiramente, por parte do Estado, cumprir com a obrigação de oferecer melhores condições de saúde, lazer e entretenimento, conforme o Estatuto do Idoso, através de investimentos em infraestruturas de cada setor citado. Sobre o contexto do avanço da tecnologia e inclusão social, desenvolvedores de aplicativos devem criar plataformas digitais ou jogos voltados para o público mais velho, de modo a promover a melhoria da saúde mental, a capacidade cognitiva, a concentração e, assim, lhes dar mais qualidade de vida. Ademais, a escola e a mídia devem difundir valores positivos, de modo a mostrar que os idosos, ao invés de ultrapassados, têm sabedoria e experiência para compartilhar e criar uma sociedade ainda mais rica.