Direitos da terceira idade: Como enfrentar esse desafio nacional?

Enviada em 29/06/2020

O filme americano “O curioso caso de Benjamim Botton” descreve, entre outras adversidades, a saga de um protagonista que sofre preconceito por possuir uma alma jovem e um corpo vetusto resultante de uma anomalia imaginária. Infelizmente tal narrativa não dispende da realidade brasileira, em que a população idosa aumenta consideravelmente em uma sociedade despreparada para dividir espaço com indivíduos que possuem necessidades diferentes da grande massa, acarretando na palpável incapacidade dos envolvidos em lidar com a inserção do idoso ao conjunto social.

Diversos são os fatores que norteiam o aumento populacional de idosos no Brasil, tópicos como o avanço no campo da ciência, o aumento da qualidade de vida e consequentemente o aumento da expectativa de vida são exemplos. O cálculo para expectativa de idade limite de uma população estudada, leva em consideração, entre outros aspectos, a diminuição da mortalidade infantil e o aumento da idade entre os idosos, e num cenário em que essa taxa de expectativa de vida saltou de 75 anos em 2016 para 80 anos em 2019 segundo o IBGE, tendenciamos a conviver cada vez mais com pessoas que se enquadram na “melhor idade”.

Diante de tal panorama, a marginalização dessa parcela da população entra em foco, indicando que a vulnerabilidade dos mesmos pende ao aumento. Mesmo que na contramão da prevenção, o governo federal investe cada vez mais na ampliação das  DPID - delegacias de proteção aos idosos , órgãos responsáveis por fazer valer o estatuto vigente e que em 2015 atenderam cerca de 400 ocorrências de agressão, abandono ou furto, destacando que apenas a existência de um estatuto próprio ao idoso é insuficiente para inseri-lo significativamente na comunidade.

Portanto, medidas são necessárias para resolver tal impasse. O Ministério da Cidadania deve propor a criação de entidades responsáveis pela reintegração de idosos à sociedade, por meio de um projeto de lei entregue à câmara dos deputados. Tais entidades devem agendar encontros semanais entre voluntários e idosos inscritos no programa, propondo dinâmicas e fóruns de discussão que gradualmente criarão um vínculo entre os envolvidos. Dessa forma, pretende-se munir a população com informações relacionadas ao bom convívio com a terceira idade e consequentemente assegurar os direitos de indivíduos essenciais à nação.