Direitos da terceira idade: Como enfrentar esse desafio nacional?

Enviada em 30/05/2021

Envelhecer, segundo o Estatuto do Idoso, é um direito social. O Estado tem a obrigação de permitir um envelhecimento saudável, em condições de dignidade e garantido por políticas públicas. No entanto, a realidade brasileira caracteriza-se com uma problemática no que diz respeito a seguridade dos direitos da terceira idade, uma vez que, no Brasil, a falta e empatia tem assolado o corpo social e afetado negativamente essa parcela da sociedade. Nesse contexto, torna-se evidente o individualismo presente na questão, bem como uma grande influência nesse impasse, vem em virtude de injustiças.

Convém ressaltar, a princípio, que a falta de empatia gerada pelo individualismo coletivo, é um fator determinante para a persistência do problema. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman, defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. No filme da Netflix “Um Senhor Estagiário”, Ben, um senhor de 70 anos, começa à trabalhar em uma empresa de maioria jovens, ao ser empregado precisa lidar com as limitações da idade e com o preconceito das pessoas com a terceira idade. Sob essa óptica, a tese de Bauman é observada no contexto do filme e remete a realidade brasileira atual, uma vez que a liquidez das relações sociais limitam a concretude dos direitos garantidos aos idosos, como os de serem inseridos na participação e interação da comunidade, bem como os de defender sua dignidade e bem estar, o que dificulta a erradicalização do problema.

Outro ponto relevante, nessa temática, é a presença da injustiça. Nessa perspectiva, a máxima de Aristótele de que “a base da sociedade é a justiça”, cabe perfeitamente na questão. Na animação “Up: altas aventuras”, Carl, um senhor de 78 anos, por acertar à cabeça de um funcionário de uma empresa que deseja comprar o terreno de sua casa, passa à ser considerado uma ameaça para à sociedade e deve ser enviado para um asilo. Fora da alusão, nota-se a generalização da injustiça que desestrutura à base da sociedade citada por Aritóteles e fere direitos da terceira idade, ao passo que há uma contrução baseada na marginalização e incompreensão da velhice.

É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Para esse fim, o Ministério da Justiça, órgão garantidor do cumprimento dos direitos dos cidadãos, juntamente com o apoio midiádico, que por meio de propagandas em emissora de televisão e por divulgação nas redes sociais, devem enaltecer a importância da manutenção dos direitos dos idosos, bem como a valorização do direito à vida, principalmente, o de assegura-los a liberdade e a autonomia, a fim de romper com os esteriótipos sociais criados contra o corpo de idosos e que abrem margem para o cometimento de injustiças contra eles e que ferem seus direitos constitucionais.