Direitos da terceira idade: Como enfrentar esse desafio nacional?

Enviada em 09/07/2021

O Brasil encontra-se atualmente no terceiro processo de transição demográfica, o qual é marcado pela desaceleração do crescimento populacional, devido a redução das taxas de natalidade. Nesse sentido, o envelhecimento da nação brasileira é notório e atrelado a isso é fundamental para uma política direcionada a essa parcela da sociedade, uma vez que os direitos da nação terceira não são garantidos. Desse modo, é válido analisar o Estatuto do Idoso e a violência contra a população mais velha.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que o desrespeito ao Estatuto do Idoso impossibilita a construção de uma sociedade harmônica. Isso ocorre, principalmente, devido a falta de educação dos mais jovens, visto que não obedecem às filas preferencias e estacionam em vagas reservadas aos idosos. Soma-se a isso o descaso do governo com a qualidade de vida dessa parcela da nação, tendo em vista as péssimas condições das calçadas de rua. Para ilustrar, uma ONG denominada Instituto Corrida Amiga, mostrada que das 2547 calçadas mapeadas em 23 cidades, 73,6% estão em situações irregulares.

Ainda nessa questão, é fundamental pontuar que Simone Beauvoir, em sua obra “A velhice”, reconhece e explicita os aspectos da agressão oculta contra os idosos, imposta e perpetuada na contemporaneidade. Tal fato acontece, já que a violência simbólica direcionada à terceira idade, executada principalmente pela família, é manifestada mediante uma agressão verbal, omissão de assistência, negligência e preconceito. A prova disso é o dado do Disque 100, um telefone que atende denúncias contra os direitos humanos, o qual apontou que até 2017 houve 32.632 denúncias de violência contra aos idosos. Assim, se a cultura indígena considera a população mais velha como sagrada e dotada de conhecimento, atualmente, o idoso sofre um processo de exclusão hostilidade frente ao corpo social.

Tornam-se evidentes, portanto, os elementos que contribuem com o atual cenário negativo do país. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Educação em parceria com ONGs de amparo aos idosos, por meio de palestras nas escolas, estimular e instruir, desde cedo, os jovens a respeitarem a terceira idade, além de promoverem campanhas públicas que expliquem à sociedade como reconhecer os sinais de violência contra o idoso, como ter medo de um familiar ou de um cuidador profissional, com objetivo de tornar a velhice um período saudável e digno. Além disso, O Ministério da Justiça deve reforçar as medidas punitivas à frente de infrações dirigidas a população mais velha e o Ministério do Planejamento, corrigir as calçadas defeituosas, a fim de garantir os direitos da terceira idade.