Direitos da terceira idade: Como enfrentar esse desafio nacional?
Enviada em 09/08/2021
Com o advento da Revolução Técnico-cientifico, ocorreu a ascensão de remédios e tratamentos médicos, o que gerou uma maior longevidade da população brasileira. Nesse contexto, surgiram os direitos da terceira idade e o desafio de colocá-los em prática em território nacional. À luz desse enfoque, é fulcral ressaltar que esse quadro tem óbices na inoperância estatal e na letargia social.
Diante desse cenário deletério, cabe salientar a indiligência governamental na aplicação dos direitos da terceira idade. Nesse viés, segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como zumbis, pois largaram suas respectivas incumbências sociais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Ministério da Cidadania tornou-se uma corporação zumbi, dado que não apresenta êxito perante as ações e políticas públicas. Isso é perceptível, lamentavelmente, seja pela carência de campanhas de conscientização acerca da necessidade de se denunciar a violação dos direitos dos idosos, seja pelo pouco espaço destinado a receber essas delações no país. Isso posto, infere-se que a ineficácia da máquina administrativa estatal inviabiliza ações concretas que resolvam o tema e deixa a terceira idade à mercê da miséria sociocultural.
Além dessa mácula governamental, também são preocupantes, no cerne da contemporaneidade, as origens e consequências da ignorância social. De certo, mediante aos dogmas do filósofo espanhol Adolfo Vázquez, o aumento da frequência de um determinado evento fomenta, erroneamente, sua naturalização. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, há uma verossimilhança entre essa teórica ação indiferente e a realidade, haja vista que os brasileiros banalizaram e normalizaram a ruptura dos direitos dos idosos, o que gerou frutos como casas de asilos para idosos sem distúrbios devido a negligência familiar. À vista disso, depreende-se a grande importância da atitude do corpo social, porquanto, enquanto a sociedade for inerte, os direitos da terceira idade serão desprezados e eles continuarão a serem marginalizados do convívio em sociedade.
Dessarte, fica claro que a gênese desse desafio nacional tem suas fundações na inoperância das instâncias públicas aliada à ignorância social. Assim, urge que o Ministério da Cidadania faça campanhas de conscientização acerca de necessidade de não somente garantir os privilégios da terceira idade, mas também a importância de se denunciar a violação dos direitos dos idosos, por meio de mídias de ampla abrangência, como blogs em redes sociais, a exemplo do Instagram e Facebook, a fim de fazer com que o corpo social deixe sua inércia. Outrossim, esse instituto deve criar, nas delegacias municipais, um setor que receberá essas delações. Espera-se, com isso, que as normas criadas tenham sua aplicação no papel e na prática.