Direitos da terceira idade: Como enfrentar esse desafio nacional?
Enviada em 19/07/2023
Gilberto Dimenstein, em seu livro “ O Cidadão de Papel”, afirma que os direitos constitucionais dos brasileiros não são colocados em prática, ficam apenas no papel. Logo, tal perspectiva encontra-se muito próxima da realidade brasileira, pois diversos setores da sociedade sofrem com esse problema, entre eles, a terceira idade. Sendo assim, a banalização do etarismo e o descaso estatal tornam-se importantes causas da problemática em questão.
Sob esse viés analítico, é válido salientar que o preconceito para com a terceira idade é uma prática banalizada no Brasil. Segundo Simone de Beauvoir, mais grave do que a existência de uma problemática é o fato de a sociedade se habituar a ela. Esse crítico cenário é observado no país, uma vez que muitos idosos são violentados e subjugados pelas pessoas, muitas vezes porque eles se encontram em situação de vulnerabilidade e dependência, sendo até mesmo considerados fardos para a família e para a sociedade. Desse modo, os direitos deles são constantemente feridos, por isso, é fundamental que o etarismo seja combatido.
Outrossim, é imperativo salientar que há um forte descaso do governo para com os idosos. De acordo com John Rawls, um governo ético é aquele que disponibiliza recursos suficientes para todos os setores da sociedade, promovendo a igualdade de oportunidade a todos. Essa realidade não é vista no Brasil, uma vez que os recursos de acessibilidade e os projetos destinados a terceira idade são escassos, promovendo a diminuição da qualidade de vida dos mais velhos. Dessa forma, é primordial que o Estado passe a oferecer mais atenção a essa parte da população, pois, sem isso ela será isolada do todo.
Portanto, medidas são necessárias para combater a violação dos direitos da terceira idade. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação - responsável pela administração do ensino brasileiro- estabelecer nas escolas do país um dia destinado a visita de asilos de idosos. Isso acontecerá por meio de um direcionamento de verbas governamentais para suprir os gastos de deslocamento, a fim de estabelecer uma conexão entre a juventude e os idosos. Assim, o etarismo poderá aos poucos ser deixado de lado, e o Estado se comprometerá com o bem-estar dos mais velhos, aproximando-o da concepção proposta por Rawls.