Direitos humanos pra humanos direitos?
Enviada em 05/05/2026
A promulgação dos direitos humanos, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, consolidou-se como um marco civilizatório na busca por dignidade e igualdade. Entretanto, no Brasil contemporâneo, observa-se uma seletividade na aplicação desses direitos, o que levanta o questionamento: “direitos humanos são, de fato, para todos os humanos?”. Nesse contexto, percebe-se que fatores como a desigualdade estrutural e a construção midiática contribuem para a restrição prática desses direitos, contrariando seus princípios universais.
Em primeiro lugar, a desigualdade social histórica no país compromete a efetivação dos direitos humanos. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade é estruturada por diferentes capitais — econômico, social e cultural —, que determinam as oportunidades dos indivíduos. Assim, no Brasil, a concentração de renda e a exclusão social fazem com que parcelas marginalizadas, como a população periférica, tenham acesso limitado a direitos básicos, como segurança e justiça. Além disso, dados do IBGE evidenciam que pessoas em situação de vulnerabilidade são as principais vítimas de violência, o que demonstra que os direitos humanos não são garantidos de maneira equitativa.
Em segunda análise, a influência da mídia e do senso comum contribui para a distorção da percepção sobre os direitos humanos. Segundo o filósofo Michel Foucault, o discurso é uma ferramenta de poder capaz de moldar verdades sociais. Nesse sentido, narrativas que associam direitos humanos à “defesa de criminosos” reforçam preconceitos e legitimam a negação desses direitos a determinados grupos. Consequentemente, tal visão reduz a universalidade dos direitos humanos e promove sua aplicação seletiva, o que fere diretamente os princípios estabelecidos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.