Direitos humanos pra humanos direitos?
Enviada em 07/12/2021
Na obra “Ensaio sobre a Cegueira”, o escritor José Saramago, ressalta a importância de se ter olhos quando todos os perderam. Revela-se, sob essa óptica um grave problema na sociedade de caráter intrínseco, que impede o indivíduo de enxergar problemáticas como, “direitos humanos, para humanos direitos”, devido à ausência do Estado ou totalitarismo do próprio Estado.
Neste contexto, vale salientar que segundo o sociólogo Émile Durkheim, quando o Estado não cumpre com seu dever de justiça e proteção, ou seja, quando o Estado se ausenta, a sociedade entra em estado de anomia. Assim, o cidadão sente-se compelido a fazer “justiça com as próprias mãos”, conforme evidenciado na pesquisa do sociólogo José de Souza Martins, que constata que a incidência de linchamentos se dá em zonas periféricas, devido ao desenvolvimento e modernização excludentes das cidades.
Ademais, a filosofa Hannah Arendt, defende que uma característica do totalitarismo é desumanizar e transformar homens em números, em meras engrenagens substituíveis e tais homens se tornam vitimas quando não se tem o que se espera deles. Com isso, é possível concluir que ser um “humano direito” é relativo, visto que na 2ª Guerra Mundial, Eichmann se considerava bom cidadão por obedecer superiores e os judeus perderam sua humanidade nos campos de concentração apenas por serem judeus naquele governo, conforme apontado pela própria Hannah.
Portanto, diante do que foi exposto medidas precisam ser tomadas para que essa cegueira social acabe. Cabe ao Estado, em parceria com as prefeituras elaborar politicas públicas não excludentes da comunidade periférica como, construção de vias de acesso, escolas públicas e instituições de saúde públicas. Também cabe ao Estado, por meio do Ministério da Educação, promover discussões nas escolas a respeito da Declaração Universal dos Direitos Humanos, para que não haja mais a desumanização por parte de governos autoritários. Assim, com essas ações, talvez o desejo de justiça com as próprias mãos e violência que a frase “direitos humanos para humanos direitos”, possa diminuir nas terras tupiniquins.