Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 08/10/2018
Como já advogou o pensador Darcy Ribeiro, o Brasil configura-se como um gigante miscigenado, em virtude que sofreu influência cultural das matrizes africana, indígena e europeia. Hodiernamente, é observado que as manifestações culturais das etnias subjugadas em território nacional tornaram-se simbolo da resistência perante a dominação eurocêntrica. Diante dessa perspectiva, é pontual não compreender a preocupação com a aculturação, mas também verificar os limites da liberdade de expressão nesse cenário.
Em primeira análise, é válido destacar que tanto os nativos quanto os escravos africanos tiveram suas culturas oprimidas pelos colonizadores portugueses, visto que houve a imposição forçada dos hábitos e costumes europeus, considerados civilizados e superiores. Nesse contexto, referencia-se a concepção marxista, uma vez que o cenário cultural segregacionista caracteriza-se como um instrumento de garantia do poder pela classe dominante. Dessa forma, percebe-se, na contemporaneidade, que as expressões culturais das minorias são um meio de afirmar as singularidades étnicas e superar os anos de opressão.
Outra questão fundamental relaciona-se ao fato de que, na era da globalização, o intercâmbio cultural está cada vez mais expressivo. Portanto, o uso de aspectos culturais de certa etnia ou região por outra, como forma de demostrar apreciação, está presente no cotidiano do corpo social. A partir desse exposto, certifica-se que a liberdade de expressão é um direito garantido para todos os cidadãos, independente de raça ou credo, pelo artigo 5º da Constituição Federal. Entretanto, tais apropriações possuem um caráter modista impulsionado pela sociedade de consumo, desrespeitando as heranças históricas envolvidas. Desse modo, a liberdade de expressão deve está conjugada à tolerância e ao respeito para obter-se união nacional.
Logo, ações de combate a esse comportamento são de responsabilidade social e governamental. Isso posto, é necessário que o Ministério da Cultura invista em propagandas de cunho conscientizador nos principais meios de comunicação, com o propósito de influenciar a opinião popular no que tange o respeito às culturas periféricas. Ademais, é papel do Ministério da Educação educar para conviver com as diferenças, através da inclusão do estudo sobre as diversas matrizes que compõem a cultura brasileira e suas importâncias sociais, como destacado por Darcy Ribeiro, além de promover palestras e debatas acerca da apropriação cultural, formando futuros cidadãos que preservam os valores tradicionais. Assim, compreender os entraves que envolvem esse tema e buscar formas de reverter esse imbróglio é imperante para a construção de uma sociedade unida e igualitária.