Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 23/10/2018
No livro ‘‘Por Uma Geografia Nova’’, do geógrafo brasileiro Milton Santos, é retratado como a globalização favoreceu as culturas hegemônicas, desfavorecendo as alteridades. Nesse sentido, nota-se que a apropriação cultural é um forte entrave a ser enfrentado, já que os símbolos de resistências das minorias, em muitos casos, tornam-se modismo. Dessa forma, necessita-se discutir sobre os malefícios, assim como as restrições.
Em primeira análise, é notório que a apropriação cultural promove, na maioria das vezes, o esvaziamento do sentido de resistência. Posto isso, tal fato é motivado pela reprodutibilidade técnica de elemento intrínsecos de certas culturas pela mídia ou por agências de moda, sem disseminar o real significado - como os religiosos - que representa para esses povos. Mesmo porque, como considerou os filósofos da Escola de Frankfurt, como Adorno, a ‘‘industrial cultural’’ prioriza o lucro, em detrimento de despertar o senso crítico. Por conseguinte, o desrespeito com as minorias é agravado.
Entretanto, tal conceito não pode restringir a liberdade de expressão. Nesse viés, essa assertiva é constatada quando se observa que muitos cidadão são vítimas de ofensas por assimilar a sua personalidade com a de certas culturas, como uma menina branca portadora de câncer que, por usar um turbante, foi ofendida por tal ato, no ano de 2017. Sendo assim, tais peculiaridades rompem com os conceitos do antropólogo Lévi-Strauss, já que, para ele, a assimilação das etnias é importante, desde que respeite as regras existentes. Assim, a sociedade torna-se mais intolerante.
Entende-se, portanto, que a apropriação cultural pode promover o desrespeito das minorias, mas não pode ser confundida com restrição. Para resolver, a mídia e as agências de moda devem promover o respeito às culturas, por meio de, se for lançar certo elemento, como os turbantes, desenvolver aulas históricas que demonstrem o significado daquele objeto, para que seja usado respeitando aquele símbolo. Em consonância, cabe às escolas disseminar a tolerância, por meio de palestras com professores, para que a apropriação cultural seja livre de escolha de cada cidadão.