Discussão acerca da apropriação cultural

Enviada em 29/10/2018

O Apartheid foi um regime de segregação racial adotado de 1948 a 1994 na África do Sul. Embora pareça uma realidade distante, os questionamentos e os posicionamentos acerca da apropriação cultural, remetem à ideia de uma possível segregação étnico-cultural em um país predominantemente miscigenado.

A priori, o termo “apropriação cultural” apresenta o conceito de que é anti-ético um branco se “apropriar” de determinados elementos provenientes de etnias “oprimidas” sem conhecer seus valores, história e “resistência”. Com o intuito de ilustrar tal situação, é dado o exemplo do turbante, que movimentou as redes sociais em 2017 por conta de uma garota branca estar usando o adereço. Contudo, torna-se hipócrita o conceito, haja vista que o adorno foi, provavelmente, uma invenção persa. Ademais, o turbante chegou ao Brasil em 1808, com a vinda da família real, justamente com a finalidade de conter a peste de piolhos que havia se difundido entre a rainha Carlota Joaquina e as demais damas da corte. Analogamente, seu uso também virou moda durante a II Guerra Mundial, uma vez em que as mulheres não possuíam cuidados com o cabelo dada a situação vivenciada.

De acordo com Antônio Risério, famoso antropólogo, é “baboseira” querer isolar comunidades, e que combater o sincretismo é combater o que há de mais rico na vida, que são as trocas de experiência e de signos. De semelhante modo, não há nada mais racista do que rotular determinados comportamentos, ainda que se diga que apenas é necessário saber a origem das coisas, pois até mesmo Bhaskara era indiano.

Mediante aos fatos supracitados, a frase do professor Pedro Chaves faz por si só, a solução para essa desavença: “Não eduque seu filho para respeitar gays, negros, brancos e índios. Eduque para respeitar o ser humano, assim, você não precisará dar explicações sobre as diferenças de cada um”. Em suma, a problemática lida com a questão ética, e faz-se de extrema importância o ensinamento, mediado pelos pais, responsáveis e educadores, da valorização e do respeito ao coletivo, não dando espaço para diferenças visíveis, estas que nos tornam escusos.