Discussão acerca da apropriação cultural

Enviada em 25/10/2018

É fato que o Brasil é um gigante miscigenado. Nesse âmbito, portanto, a apropriação cultural, em sua sua maioria, não retrata a história de luta dos negros, ocorrida desde o início da escravidão. De fato, é possível inferir que a apropriação indiscriminada decorre devido as falhas nas políticas públicas e, consequentemente, ocasiona problemas sociais.

De acordo com a Constituição brasileira, todo cidadão possui direito à igualdade. No entanto, é possível constatar que, na prática, esse direito não é assegurado. Desse modo, a apropriação cultural se torna um problema devido ao fato do não reconhecimento da cultura africana, assim como a desvalorização de suas lutas históricas. Como consequência de tal ação, ocorre a invisibilidade dos afrodescendentes e a falta de empatia, pela sociedade, ao utilizarem os adereços de sua cultura.

Ademais, conforme afirmou Sérgio Buarque, em sua obra “Raízes do Brasil”, os brasileiros estão acostumados a tratarem o Estado como um pai, deixando todas as questões político-sociais em suas mãos. Assim sendo, não é, no entanto, responsabilidade única do Estado a invisibilidade e a descriminação racial vivida pelos negros. Com o objetivo de ajudar, é mister que a sociedade abandone essa característica patrimonialista – de modo a encarar a apropriação como um retrocesso à visibilidade negra – sem depender de ações governamentais e, consequentemente, contribuir para a formação do indivíduo, pois a necessidade de criação de uma lei só existe quando o conceito de ética é ausente.

Percebe-se, destarte, que as consequências acerca da apropriação, para ser erradicada necessita de uma ação conjunta entre o setor publicitário, o Estado e os cidadãos. A mídia televisiva, retratar a realidade dos afrodescendentes, por meio de propagandas, com o objetivo de reinserir, diariamente, o negro na sociedade. Além disso, o MEC, deverá proporcionar, nas escolas, palestras para toda a comunidade, explicando as consequências que a apropriação pode ocasionar, bem como demonstrar a importância histórica da cultura africana. Corrobora tal ação a fiscalização por parte da sociedade, a partir de aconselhamento aos jovens, assim como a participação ativa dos pais desde a infância dos pequenos, contribuindo para a formação de um indivíduo cítrico e participativo, pois segundo Kant, “O ser humano é aquilo que a educação faz dele”.