Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 29/10/2018
Na Roma Antiga, Carlos Magno, como imperador, adotou elementos expressivos da cultura grega para formar o helenismo. Analogamente, no contexto atual, essa situação seria vista como apropriação cultural das relações gregas. Tendo isso em vista, é importante debater acerca dos limites entre o que enaltece ou não os princípios do outro ao ser utilizado.
Mormente, consoante ao pensamento de Durkheim de que o fato social é a maneira coletiva de agir e de pensar, é indubitável que elementos culturais de diversas culturas do mundo geraram a miscigenação da nação brasileira. No entanto, muitos elementos, os quais simbolizam lutas e resistências históricas, acabam sendo utilizados para outros fins e, muitas vezes, podem ser banalizados diante da sociedade. Isso foi o que ocorreu com o uso do turbante, o qual marca a cultura afro-brasileira e, hodiernamente, tem sido utilizado como atributo de beleza e meio de lucro para muitas empresas e pelas mídias sociais.
Outrossim, é que diante de um mundo capitalista, sustentado por lucratividade e consumo, as discussões sobre o que tal peça de roupa ou acessório representa tornou-se inexpressiva. Nesse cenário, Adorno e Horkheimer veem esse sistema como implantador da necessidade de consumo ligado à pseudo-felicidade. Logo, a venda sem análise histórica é vista como um dos principais meios de apropriação cultural na contemporaneidade. Diante disso, blogueiras brancas, que utilizam de elementos da cultura negra com o intuito de promover o afro-brasilianismo, não são bem vistas por muitas populações de negros, dado que vendem o produto pela beleza e não explicam o seu real significado aos consumidores.
Dessarte, é imprescindível que a discussão sobre a apropriação cultural ocorra no ínterim hodierno. O Ministério da Cultura aliado ao Poder Legislativo crie leis que objetivem trazer, junto dos produtos vendidos, uma cartilha que conte a história de tal elemento e o que esse representa. Desse modo, poderá auxiliar para que antes do consumo, a consciência do que está sendo comprado seja explicito para o consumidor. Ademais, também é cabível ao Ministério da Educação a promoção de palestras, isso por intermédio de contratação de profissionais e antropólogos especializados nas questões de apropriação cultural, as quais possam debater sobre o assunto e, dessa forma, auxiliar na ampliação da visão do estudante sobre como o tema é importante para que não haja a banalização das culturas no mundo.