Discussão acerca da apropriação cultural

Enviada em 07/12/2018

Apropriação cultural é o uso de práticas de um determinado grupo étnico por outro, sem toda via imbuí-las do mesmo significado. Essa é uma prática usada como justificativa no meio acadêmico para negar o racismo e insere-se de modos diversos, seja nas vestimentas ou na música, causando danos simbólicos extremamente difíceis de reparar.

Desse modo, o escritor Gilberto Freyre é um dos maiores expoentes da confluência de raças no Brasil e que ela teria gerado um apaziguamento na relação entre brancos e negros, negando o racismo. Essa forma de pensamento continuou sendo reproduzida por outros grandes autores, financiados pela elite dominante através das universidades, como a USP (Universidade de São Paulo) que fora criada na década de 1930 pelos grandes cafeicultores paulistas, e hoje esse tipo de pensamento está enraizado na população.

Ademais, devido a esse tipo de sociedade criada durante o século XX, existe a apropriação cultural e que manifesta-se de diversas formas, sempre com o objetivo de esconder o racismo. Quando um indivíduo branco usa turbante, algo utilizado pelo candomblé, ele não está inserido num contexto cultural, mas sim apenas estilístico, além disso, o rap e o funk, gêneros musicais criados nas comunidades carentes, de maioria negra segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), estão cotidianamente entre as mais tocadas nos aplicativos de música como o Spotify, também sem grande cunho social para quem não vive nas favelas.

Sendo assim, tal mecanismo é feito para que as vítimas, os negros, não tomem consciência do preconceito sofrido, ou acreditem que ele é mero acaso e não algo sistematizado na sociedade, mantendo a classe negra marginalizada. E isso se faz refletir quando os salários em média são mais baixos para os negros em relação aos brancos, de acordo com o Ministério do Trabalho.

É necessário, portanto, findar com a ilusão de que existe harmonia social, e isso deve ser feito de duas maneiras: primeiramente, o racismo deve ser exposto para toda a sociedade, para que seja encarado de fato pelas pessoas, para tal feito o Ministério da Cultura precisará incentivar a construção de museus da escravidão, que mostrem todo horror dessa prática, ajudando na reflexão pessoal e amenização desse mal. Em segundo lugar, é fundamental que o Ministério da Educação estabeleça aulas de sociologia obrigatórias desde ensino fundamental e que ela seja libertadora para os jovens, em relação as raças, e ensinem-os a conviver harmoniosamente em sociedade. Tudo isso é de extrema importância para a formação de um país mais justo e igualitário.