Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 08/04/2019
Consoante frase do escritor Jorge Amado: “Branco puro na Bahia, quem?Negro puro na Bahia, onde? Somos mulatos, felizmente!” é fato que a cultura brasileira é feita de sincretismos, e qualquer tentativa de combater a apropriação, ainda mais em um mundo globalizado, é uma forma de purismo cultural. Nessa perspectiva, nota-se que não há discernimento por parte daqueles que defendem a luta contra a apropriação cultural, pois ela é um processo que está contido no intercâmbio cultural. Ademais, apenas parte da população tem ciência desse termo, sendo necessário explicar seus aspectos negativos.
Nesse viés, é visível que não deve-se solucionar algo natural, até porque não existe só uma forma de troca de culturas e ela nunca é unilateral, mas ocorre mutualmente. Um exemplo disso é o caso dos libaneses quando vieram ao Brasil, os quais introduziram o quibe no país, enquanto aprenderam a comer o arroz e feijão.
Outrossim, é indubitável que poucas pessoas sabem o significado de se apropriar de alguma cultura e isso causa brigas e discussões desnecessárias acerca da liberdade individual, visto que a pauta em questão não é sobre apontar o que o indivíduo pode vestir ou usar e, sim, a maneira a qual o homem utiliza elementos dela, que deve ser de forma respeitosa. De forma análoga, é possível relacionar esse fato com o postulado do escritor Dimos Iksilara, escritor e palestrante, segundo o qual ser livre é conseguir flutuar entre a diversidade e a multiplicidade, sem perder a própria identidade.
Logo, faz-se presente, no contexto brasileiro, uma desinformação referente ao tema que precisa ser revertida. Destarte, torna-se imperativo às Organizações Sociais Civis de Interesse Público, em paralelo com o Ministério da Cultura, realizar campanhas que exemplifiquem a realidade de que nem tudo é apropriação cultural tanto nas mídias, quanto em manifestações, por meio de ativismo e ciberativismo, com o fito de diluir a problemática da falta de informação e retomar os princípios de Amado.