Discussão acerca da apropriação cultural

Enviada em 22/04/2019

Somos todos um

Diferentes culturas, miscigenação, apropriação. Ao longo do processo de construção da história brasileira, de sua colonização até meados do século XX, muitos costumes estrangeiros foram aqui enraizados. Músicas, vestes, religião. Assim, no contexto nacional, formou-se uma cultura rica e representativa de muitos países. Com efeito, esse cenário de diversidade cultural tem mais a ver com miscigenação do que com apropriação.

Primeiramente, o debate acerca da apropriação cultural começou de maneira inusitada: uma jovem com câncer que usava um turbante foi abordada por jovens negras que disseram a ela para não usar o adorno já que o mesmo era símbolo da representatividade negra. No mesmo dia a notícia já repercutia em todas as mídias sociais. É inegável que o adorno tenha sua origem em países africanos, no entanto, o Brasil é um país onde felizmente, todos têm o direito de ir e vir como, quando e onde quiserem. Logo, tal atitude contra pessoas que usam turbantes, gostam de samba ou são de religiões afrodescentes, é um desrespeito a esses direitos.

Em uma segunda análise, é compreensível os negros sentirem que certos artefatos são de sua própria cultura e não devem ser utilizados por brancos, que por séculos os escravizaram. Todavia, a cultura africana já faz parte da realidade brasileira, seja nos turbantes, no samba, no candomblé. O que um dia foi símbolo de um continente, hoje também é símbolo de um país, não por modismo, mas por miscigenação entre as culturas. Sendo assim, essa riqueza cultural deveria servir para unir a população e não segregá-la por hábitos, opção religiosa, roupas ou acessórios.

Fica evidente, portanto, que a fim de garantir uma sociedade livre de preconceitos de quaisquer tipos, cabe ao Ministério da Cultura junto ao da Educação, mediante o redirecionamento de verbas, financiar propagandas reafirmando a multipluralidade nacional. Tais propagandas associadas a anúncios por meio de vias midiáticas e palestras contínuas nas escolas, poderão conscientizar a população e construir uma sociedade mais unida.