Discussão acerca da apropriação cultural

Enviada em 25/04/2019

Muito se tem discutido acerca da apropriação cultural durante os últimos anos. Em virtude da globalização e dos avanços tecnológicos, o principal palco para tal discussão tem sido a internet. Nas redes sociais, a abordagem desse assunto é realizada sob diferentes perspectivas. Contudo, é fundamental o reconhecimento de que esse fenômeno tem contribuído para a manutenção do prestígio branco e, por conseguinte, para a tentativa de apagamento da culturas negra e indígena, e isso precisa ser mudado.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a apropriação cultural possui raízes racistas. No Brasil, isso pode ser percebido na mudança da visão sobre o turbante, ornamento tradicionalmente utilizado por povos da África e que apresenta valor religioso para o candomblé. Desde a colonização, os negros que utilizam tal elemento têm sido vítimas de preconceito. Por outro lado, quando seu uso é feito por um branco, ele assume um significado positivo. Nesse âmbito, nota-se que a apropriação cultural favorece a cultura dominante e marginaliza a subordinada.

Além disso, esse fenômeno é intensificado por fatores sociais e econômicos. Assim como a indústria cultural, segundo Adorno e Horkheimer, é responsável por transformar a arte em mercadoria e, como consequência, há a desconstrução de seus significados, as ideias de consumo e lucro somadas à apropriação cultural geram a desvalorização dos elementos da cultura dominada. O cocar, por exemplo, é bastante simbólico para os indígenas. No entanto, a sua comercialização é intensa no Brasil durante o carnaval, e seu valor é reduzido a uma fantasia. Nesse sentido, percebe-se que os hábitos de consumo, bem como as estratégias de lucro atuais, facilitam a depreciação dos elementos que compõem a cultura desprivilegiada.

Infere-se, portanto, que a apropriação cultural contribui para o apagamento da culturas negra e indígena, ao passo que mantém o privilégio branco. Para a resolução dessa problemática, é imprescindível um controle maior das empresas na comercialização de produtos que apresentam valor identitário a um grupo, com o fito de que não haja banalização dos componentes culturais do mesmo. Ademais, cabe aos indivíduos de cultura prestigiada reconhecer que a utilização de elementos como o turbante e o cocar como fantasias desvaloriza as culturas inferiorizadas e, por isso, não deve ser feita.