Discussão acerca da apropriação cultural

Enviada em 29/04/2019

“A tolerância é a melhor das religiões.” Victor Hugo, romantista francês, já em sua época, afirmava uma informação importante: o respeito é o melhor princípio a ser seguido. Na contemporaneidade, esse fenômeno é diferente, visto o desrespeito às culturas formadoras da identidade brasileira, através da apropriação cultural, o que representa, assim, um desafio a ser enfrentado. Dessa forma, é necessário avaliar as causas desse cenário, que prejudicam as relações sociais, para, então, resolvê-las.

De início, cabe salientar que a apropriação cultural é transmitida de geração a geração. De acordo com Émile Durkheim, o fato social refere-se à forma de agir, pensar e sentir, que se generalizam em todos os membros de uma comunidade. Observa-se que esse fenômeno pode ser encaixado na teoria do sociólogo, visto que, desde o Período Colonial, expressões artísticas e religiosas da cultura indígena e africana são recriadas, pela visão etnocêntrica dos portugueses, totalmente esvaziados de sentido e dissociados de suas origens. Assim, como herança colonial, o ato de se apoderar de uma cultura, ainda é presente em pleno século XXI.

É notório, ainda, que as relações de poder vigentes na sociedade brasileira consolidam também a apropriação cultural. Segundo Foucault, o conceito de “micropoder” consiste na ideia de que o poder não se encontra apenas em grandes instituições, como o Estado, mas fragmentado nas mãos de cada indivíduo, o que origina as relações de dominância no convívio social. Sob essa lógica, a elite brasileira sente-se no privilégio de incorporar elementos de outra cultura, cujos integrantes sofreram ou ainda sofrem opressão desse mesmo grupo dominante. Assim, tradições, peças ou atitudes, símbolos da resistência de uma cultura, como os turbantes e as tranças africanos, são banalizados e elitizados, ao serem comercializados como tendência de moda.

Fica claro, portanto, que o impasse da apropriação cultural requer ações efetivas para ser solucionado. Nesse sentido, a mídia, formadora de opinião, deve agir contra essa problemática, por meio de campanhas publicitárias, com a criação de documentários jornalísticos, séries ou filmes, que retratem como elementos particulares de certas culturais são utilizados indevidamente por outras pessoas culturalmente diferente, além de promover uma reflexão profunda sobre essa temática. Espera-se, com isso, mudar essa realidade, valorizando os costumes de cada povo e garantir a tolerância universal.