Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 03/07/2019
Na segunda metade do século XX, a Terceira Revolução Industrial proporcionou avanços tecnológicos nos meios de comunicação que permitiram a formação de uma sociedade interconectada e com grande contato cultural. Entretanto, tal fenômeno na área produtiva provocou, também, a desestruturação de práticas culturais de certos grupos sociais, visto que a intensa troca de informações facilitou a subtração dessas manifestações e prejudicou as suas simbologias. Assim, faz-se fundamental analisar as causas e possíveis soluções da problemática.
Inicialmente, é válido reconhecer a depreciação dos hábitos culturais como uma das principais causas da situação. Acerca disso, deve-se observar o pensamento da filósofa alemã Hannah Arendt, no qual se afirma que a condição essencial do ser humano é a presença da pluralidade. Nessa perspectiva, o desprezo praticado por determinados grupos sociais aos elementos de outras culturas confronta a concepção de Arendt, uma vez que tal prática favorece apropriação de costumes julgados como aceitáveis e ocasiona a segregação sociocultural. Dessa forma, torna-se evidente a necessidade de promover a identificação das manifestações para coibir a sua assimilação indevida.
Além disso, a delimitação dos significados de símbolos culturais pela mídia também pode ser apontada no estudo da problemática. Segundo os filósofos contemporâneos Adorno e Horkheimer, a “Indústria Cultural” reduz manifestações artísticas a mercadorias ao objetivar apenas a obtenção de lucro. Nesse contexto, os meio midiáticos, agentes da “Indústria Cultural”, se apropriam das práticas de grupo marginalizados e corrompem os seus significados originais, o que desconstrói a organização cultural e desarticula o caráter de resistência desses agrupamentos perante a classe hegemônica. Desse modo, nota-se o papel negativo dos meios de comunicação no ato de usurpação artística.
Fica evidente, portanto, o caráter prejudicial da apropriação cultural e que são necessárias medidas para enfrentar o fenômeno. Logo, é mister que o Estado, como instituição protetora dos diversos grupos culturais, promova políticas públicas que objetivem coibir atos preconceituosos sobre costumes artísticos, mediante a formação de palestras reconhecedoras dos hábitos culturais. Outrossim, o Poder Público, junto à sociedade civil, também deve elaborar atos normativos que tenham como finalidade eliminar a assimilação indevida de traços artísticos, por meio da imposição de regras à publicidade.