Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 14/07/2019
A Revolução Científica impulsionou o fenômeno da globalização ao elevá - lo ao universo digital, o que provocou cada vez mais choques entre culturas distintas. Por conseguinte, a apropriação cultural se tornou muito mais frequente. No entanto, tal prática tem efeitos negativos, haja vista a desconsideração pelo significado cultural e a mercantilização desses elementos pelo capital. Nesse sentido, o debate torna - se indispensável para o respeito mútuo da tradição e da memória cultural.
A priori, segundo o ideário proposto pela Escola de Frankfurt, a Industria Cultural produz e induz as massas a consumirem seus produtos. Nessa perspectiva, é notório como o sistema capitalista transforma uma determinada tradição em produtos massificados e globais. Entretanto, o capital - ao visar apenas o lucro - desconsidera o significado cultural desses elementos e acaba, assim, a criar esteriótipos e reproduzir preconceitos. Ademais, um exemplo disso está presente no filme “Bonequinha de Luxo”, em que o síndico do prédio possui uma aparência asiática estereotipada, com olhos excessivamente repuxados artificialmente. Diante disso, torna - se imperativo a discussão em relação a apropriação que a Indústria Cultural realiza de elementos culturais.
Igualmente, de acordo com o escritor francês Guy Debard, a sociedade é um grande espetáculo, onde cada indivíduo se preocupa em manter uma imagem, ditada pelo capital que mercantiliza objetos e até pessoas para lucrar. Nessa lógica, grupos de uma cultura passam a usar símbolos importantes de outra cultura - mercantilizados pelo capital - como simples adereços, sem saber o que os mesmos significam, apenas para fazer parte do cenário ditado pela indústria cultural. A exemplo disso, tem - se as pessoas brancas que compram turbantes para enfeitar a cabeça, sem saber do símbolo de resistência e identificação que eles possuem para a cultura afro. Desse modo, faz - se necessária o debate educativo sobre cuidado e o respeito que se deve a diversidade e identidade cultural.
Em suma, frente a mercantilização da tradição e o desconhecimento disso por parte da população, torna - se evidente a necessidade da discussão da apropriação cultural. Logo, é mister que o MEC - Ministério da Educação e Cultura - através de uma reforma na grade curricular, inclua no calendário escolar aulas e feiras que trabalhem diversas tradições culturais, com seus objetos e manifestações, e discutam com a comunidade escolar a importância da não apropriação de símbolos de outras culturas como respeito com as mesmas. Além disso, é imprescindível que o MEC aliado as mídias sociais, produzam propagandas que informem a população sobre o que é a apropriação cultural e como é desrespeitoso o uso arbitrário de símbolos de outros povos, a fim de que a população fique ciente da problemática e dos seus efeitos para os envolvidos.