Discussão acerca da apropriação cultural

Enviada em 15/08/2019

No século XVII, em meio ao comércio triangular, muitas mulheres africanas trançavam arroz ou sementes em seus cabelos para percorrerem as rotas entre os países, podendo plantar o alimento escondido de seus senhores para sobreviverem. Nesse contexto, se torna uma problemática seja pelo uso de elementos de origem negra por pessoas brancas sem o reconhecimento adequado ou seja pela ignorância cultural por parte da maioria da sociedade.

Da mesma forma, no período da escravidão brasileira, as tranças eram utilizadas como forma de comunicação entre os negros, as mulheres trançavam mapas em suas cabeças na tentativa de encontrarem o caminho de fuga para os quilombos. Entretanto, são hoje populares e muito utilizadas por não negros exclusivamente por estética, sem conhecerem as histórias de luta e resistência  das mulheres negras por trás de cada trançado. A liberdade individual da sociedade democrática é confundida com uma relação de soberania do branco com o negro, retornando aos infelizes costumes do período colonial brasileiro.

Outrossim, a ignorância cultural vem à tona com a discriminação em relação as vestimentas e costumes tradicionais de cada povo, gerando o preconceito cultural. Segundo o pensador e filósofo Confúcio “A cultura está acima da condição social”. Tal citação retoma a ideia do estudo ante o uso de elemento que não são reconhecidos, para que deste modo a sociedade viva em harmonia respeitando culturalmente sem preconceitos, e conhecendo a história de resistência, de ancestralidade de cada etnia.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. As redes de ensino de crianças e jovens, devem incluir em grade escolar aulas lúdicas que explicitem a verdadeira história por trás de cada objeto ou penteado utilizado esteticamente por meio de palestras - para os jovens - e desenhos, artes em telas - para as crianças - a fim de se divertirem aprendendo, e darem reconhecimento à luta das mulheres negras. Ademais, as ONG´s de apoio às negras devem promover o conhecimento da cultura africana por meio de oficinas de músicas, dança, vestimentas - de modo gratuito e aberto para todos os públicos - a fim de mostrarem a influência desta cultura até os dias atuais.