Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 19/08/2019
Isso não é um turbante
Segundo sociologo Zygmunt Bauman, vivesse atualmente os tempos líquidos, em que nada é feito para durar. Nesse sentido, a industria cultural utilizando de culturas que durante muito tempo foram inferiorizadas passam a utiliza-las da maneira que a convém, ora transformando o seu significado, ora convertendo em algo fugaz.
É de suma importância ressaltar, que o intercâmbio cultural em um mundo globalizado é esperado, uma vez que, desde as grandes navegações a troca entre os povos foi o que garantiu o seu progresso. No entanto, o que marca negativamente esta realidade é a permanência da ideologia europeia caracterizada como “o fardo do homem branco”. Com esse pensamento nos dias de hoje, a cultura que inicialmente era combatida, passa a ser transformada de forma que melhor se modele ao padrão europeu.
Isto é, assim como o cachimbo de Michel Foucault, usa-se um símbolo de determinada cultura, esvaziando todo o seu significado inicial como é o caso dos turbantes, por exemplo. No atual cenário da moda, esses adornos são largamente vendidos e utilizados simplesmente com a intenção de seguir uma tendência. Dessa forma, o profundo significado que esses acessórios carregam são esquecidos, e deixam de ser um símbolo de resistência para tornar-se em um artigo da moda que logo será superado.
Diante desse processo de esvair-se das cultura milenares, medidas são necessárias para atenuar essa realidade. É de fundamental importância, que a população, principal consumidora dessas industrias, não colaborem com essa realidade. Assim, é fundamental que as escolas, nas aulas de história, sociologia e artes, reforcem as lutas das minorias, enfatizando em sala de aula sua historiografia, para que assim, todo aquele que queira adotar determinada cultura, seja de forma a defende-la. Assim sendo, será construído homens e mulheres que não mais contribuem com a apropriação cultural imposta pela industria cultural.