Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 22/08/2019
Durante a expansão do Império Macedônio capitaneada por Alexandre Magno, muitas culturas da Ásia e do Oriente Médio foram extintas, enquanto outras, ao misturarem-se com a tradição grega, expandiram-se e formaram o que é hoje conhecido como período helênico. Essa fusão de valores e ideias é recorrente na história assim como na contemporaneidade, levantando diversas questões. Nesse sentido, faz-se importante a análise da apropriação cultural vista tanto em seus aspectos positivos quanto negativos.
Em um primeiro momento, vale ressaltar que o uso de elementos identitários de minorias pela cultura dominante pode ser prejudicial àquelas. Segundo Foucault, o poder não possui um centro, mas seus efeitos se exercem em pequenas atitudes no cotidiano. Dentro dessa lógica, algo aparentemente banal, como uma mudança no corte de cabelo, pode ser, como é para o movimento negro, um gesto simbólico de empoderamento. Assim, quando os meios de comunicação de massa caricaturam e mercantilizam ícones importantes de alguns grupos, o que fazem é esvaziar todo um ideário veiculado por uma ação ou objeto para adaptá-los a outros públicos e realidades.
Contudo, a apropriação cultural também pode ser entendida como uma forma de difundir e valorizar o que foi apropriado. Para ilustrar, o fato de os Beatles utilizarem a cítara, instrumento sagrado para os hindus, em algumas de suas canções, contribuiu para popularizá-la no ocidente. Além disso, as máscaras africanas, que compunham os rituais de algumas tribos, foram uma grande fonte de inspiração para o cubismo, o que redimensionou as visões da África na Europa. Desse modo, o ajuste e a reinvenção dos costumes de outros povos auxiliou na sua perpetuação e admiração em outros meios.
Mediante o elencado, urge que o Estado tome providências acerca dessa problemática. Impende, então, ao Ministério da Cultura, em parceira com a Mídia, a criação, por meio de verbas governamentais, de peças publicitárias a serem exibidas na rádio e na televisão. Nessas, grupos frequentemente marginalizados, mulheres e negros por exemplo, explicarão a relevância de alguns elementos, como “dreads” e turbantes, para suas respectivas culturas. Tal medida tem o fito de não só permitir que a história seja contada por quem a compôs, como também de promover respeito para aquilo que importa ao outro.