Discussão acerca da apropriação cultural

Enviada em 16/10/2019

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que grupos minoritários utilizam o conceito de apropriação cultural de forma errônea, tirando de maneira velada a liberdade individual de demais grupos sociais. Esse cenário antagônico é fruto tanto da intolerância étnica, quanto do desconhecimento histórico que algumas pessoas tem sobre demais grupos culturais. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento coletivo.

Precipuamente, é fulcral pontuar que o o radicalismo de alguns grupos negros perante o uso de elementos como o turbante e o uso de dread em cabelos de indivíduos que não são afros, deriva do preconceito racial que se sobrepõe perante outras comunidades. Segundo dados disponibilizados pelo website G1, Thauane Cordeiro, uma garota branca que sofria de câncer, por usar um turbante para esconder sua careca devido o tratamento, não só foi ameaçada por um grupo de mulheres negras militantes, mas também teve seu acessório tirado da cabeça pelas mesmas que argumentaram que ela não tinha o direito de usar um símbolo que é “exclusivamente” da cultura africana. Logo, faz-se mister a reformulação de mecanismos estatais que garantam a impunidade de grupos agressores.

Ademais, é imperativo ressaltar o pouco conhecimento cultural como grande impulsionador da problemática. Partindo-se desse pressuposto, apesar do turbante ser um símbolo religioso usado no candomblé e umbanda por civilizações africana, não há como negar que outros povos como árabes, indianos, judeus, egípcios e primordialmente os persas já utilizavam o artefato para diversos fins. Um vez que tornar o uso do turbante como objeto essencial de uma cultura única, não só demonstra um desrespeito com as demais pessoas que o usam, mas também reflete um pensamento de superioridade racial. Assim, o desconhecimento histórico retarda a resolução desse empecilho, o que contribui negativamente para a perpetuação desse quadro deletério.

Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade nacional. Dessarte, com o intuito de mitigar o uso equivocado do conceito de apropria-se de aspectos gerais de outras culturas, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Justiça, será investido na segurança, por meio do desenvolvimento de leis rígidas que não só protejam grupos que sofrem agressões, mas também pelo punição adequada de comunidades radicais que são intolerantes. Assim, toda sociedade poderia usufruir não apenas do livre direito de expressão, mas como também alcançar a Utopia de More.