Discussão acerca da apropriação cultural

Enviada em 23/10/2019

O Movimento Antropofágico foi uma manifestação artística brasileira que foi fundada em 1920 e teorizada pelo poeta Oswald de Andrade, esse manifesto tinha o objetivo de ´´deglutir´´ a cultura estrangeira e transformar em algo brasileiro ao valorizar a fauna, flora e a língua. A partir disso, de maneira semelhante, vê-se a necessidade, hoje, de discutir no Brasil sobre a questão da apropriação cultural. Nesse sentido, cabe analisar problemáticas como a ausência de respeito aliada aos estereótipos em torno de elementos culturais, em busca de soluções eficientes para findar essa óbice.

Em primeiro plano, é ideal esclarecer que as pessoas acreditam que a riqueza cultural de um povo é patrimônio de todos, da qual se pode dispor sem critérios e sem respeito. Todavia, há um poder enraizado no território brasileiro desde a colonização, que delega aos dominantes definir quem é inferior, isso fez com que a etnia negra e indígena fosse colocada como inferior, dessa forma as religiões e aspectos culturais dessas etnias eram e ainda são desmoralizadas. Em suma, esses povos são desrespeitados por uma sociedade que não reconhece e admite o preconceito incorporado.

Ainda sob essa perspectiva, interessa destacar que o mercado transforma o bem cultural em consumo e impede que o grupo que gerou participe, sendo assim a população negra é eliminada, mesmo que tenha criado a tradição de um objeto. Entretanto acerca disso, há estereótipos em torno dessas aquisições, no qual pessoas se apropriam sem saber o verdadeiro significado do que estão se apossando. Em síntese, segundo Adorno e Horkheimer, principais fundadores da Escola Frankfurt, alegavam que a indústria cultural cria padrões que se repetem e se baseiam em gerar lucro, sem oferecer importância para as tradições dos objetos. Essa premissa sociológica permite, então, que se discuta sobre a discriminação de elementos culturais de grupos minoritários, vistos como ínferos.

Diante desses aspectos, é necessário tomar medidas para deslindar a questão da apropriação cultural no Brasil. Desse maneira, é preciso que o MEC (Ministério da Educação e Cultura), com o apoio do Governo Municipal promova eventos sociais nas praças públicas dos municípios, como palestras que serão dadas por sociólogos e historiadores, com o objetivo de debater sobre a falta de respeito e os estereótipos sobre outras culturas. Para que a população possa manter-se consciente, de que a apropriação cultural pode gerar graves consequências.