Discussão acerca da apropriação cultural

Enviada em 24/10/2019

Em 1933, foi formado na Alemanha o “Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães”, comandado pelo ditador Adolf Hitler. Seu símbolo escolhido foi a “Suástica”, ícone da religião budista. A adoção dessa marca pelo tirano alemão, acabou por subverter todo seu significado pacifista e denegrindo uma religião que pregava paz e harmonia. Atualmente, o Brasil tem apresentado vários casos de apropriações culturais de diversas outras nações e grupos. Entretanto, esse tipo de apropriação pode causar danos àqueles adeptos aos costumes originais dessas culturas, transformando ícones importantes em meros produtos de consumo, entretenimento e até em práticas pejorativas.

Primeiramente, tornou-se extremamente comum flagrar alguém usando uma blusa com o símbolo do movimento “hippie”, sem ao menos conhecer sobre sua origem. Deste modo, fica evidente ao visitar grandes centros comerciais, onde vários produtos, de camisas a acessórios, carregam símbolos característicos de religiões, movimentos e culturas. Explicitando assim, o quanto o capitalismo de consumo, junto ao fenômeno do comércio globalizado, contribuem para a perda de significado por meio de apropriações culturais.

Em segundo caso, os veículos midiáticos de entretenimento, como os filmes produzidos em Hollywood, enfatizam o quanto práticas culturais, sejam estéticas ou religiosas, podem ser ressignificadas em prol do consumismo. Assim, tomando como exemplo o filme “Homem de Ferro 3”, onde o vilão tem base em um estereótipo de muçulmano terrorista, que recentemente vem se intensificando na vida real, provocando a visão de que todos os habitantes do Oriente Médio são religiosos radicais. Esse exemplo, corrobora a ideia de que uma apropriação cultural, mesmo que usada inicialmente de modo descompromissado, pode agredir todo um povo inocente e torná-los as verdadeiras vítimas.

Em síntese, torna-se explícito o fato de que, transformar, subverter e ressignificar alguma prática cultural pode reverberar em danos potentes aos seus praticantes originais. Desse modo, para impedir essas consequências, cabe ao Ministério da Educação e ao Ministério da Cultura, promoverem projetos e campanhas de consciência cultural-histórica de grupos explorados por apropriações. Essas iniciativas devem ter como alvo, jovens, trabalhadores e comerciários em ambientes educacionais, de trabalho e de produção de produtos para comércio, com o objetivo de promover nestes uma consciência cultural profunda e com respeito. Seguindo o caminho oposto daqueles que mancharam a história de sangue inocente na Segunda Guerra Mundial.