Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 16/02/2020
Desde a chegada dos portugueses no Brasil em 1500 em que ocorreu a dominação da cultura branca sobre a cultura negra e indígena no território nacional e é visto uma hegemonia racial branca. Além disso, é visível os casos de racismo na sociedade, principalmente nos casos de apropriação cultural que usufrui de um elemento cultural alheio sem saber os seus costumes e lutas. Outrossim, o sistema capitalista atual leva em conta em que tudo é mercadoria, inclusive elementos de uma cultura que não foi valorizada durante os séculos e seus integrantes em sua maioria foram marginalizados.
Convém ressaltar, que segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada no Atlas da Violência de 2019 revelou que 75,5% das vítimas de homicídio no Brasil em 2017 eram negras, ou seja, o racismo ainda está enraizado na sociedade e a incorporação de uma cultura é mais uma forma de culminar o preconceito racial e determinar uma raça dominante. Além de que, um elemento cultural não é algo apenas estético e deve-se considerar os costumes por trás dele e como exemplo têm se o turbante que muitas vezes significa a luta contra a segregação racial e ele é usado apenas como um adorno. Ademais, muitos elementos culturais que são vistos como estilosos em pessoas brancas acabam sendo visto como algo feio em pessoas negras ou índias e a fim de exemplificação tem-se as tranças.
Em segunda análise, a produção cultural atual não é nada seletiva e tudo vira produto, o mercado muitas vezes influencia no que as pessoas usam ou deixam de usar e a partir do momento em que integram elementos de culturas diferentes para fazer uma mercadoria, as pessoas acabam incorporando para ganhar status e na maioria dos casos não estudam os elementos por trás daquilo, ou seja, aquele pedaço da cultura acaba se tornando apenas uma mercadoria na sociedade alienada hodierna. Isso é consoante com o pensamento de Simone de Beauvoir que profere é preciso erguer o povo à cultura e não rebaixar a cultura a um povo, ou seja, é preciso ensinar a cultura as pessoas e não rebaixar a cultura a um produto.
Por tal prerrogativa, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos deve democratizar o ensinamento sobre o racismo e sobre a apropriação cultural no Brasil, sendo realizado por meio de palestras nas escolas com especialistas sobre o assunto e com a finalidade de coletivizar a informação acerca dos problemas raciais em questão no Brasil. Além disso, a Organizações Das Nações Unidas deve fiscalizar o mercado mundial através de sentinelas online nas principais mídias com o objetivo de levar a conscientização dos produtos vendidos no mundo e que as mercadorias inspiradas em adereços culturais venham com informações a respeito da cultura motivada e seguindo os preceitos de Simone de Beauvoir que diz que devemos elevar a sociedade à cultura.