Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 24/03/2020
A revolução técnico-científica, ocorrida a partir da década de 1970, propiciou uma maior integração global e, consequentemente, uma diminuição nas barreiras étnico-culturais antes latentes. A homogenização cultural, no entanto, desagradou muitos defensores de culturas tradicionais que buscam evitar a apropriação de tais práticas ascendentes por indivíduos de outras origens. Nessa perspectiva, cabe a avaliar os fatores que favorecem esse impasse
A priori, é importante destacar que, com o passar dos anos, muitas culturas perderam-se na gradativa massificação cultura. Como é mostrado na canção “O Papa é POP”, do letrista Humberto Gessinger, a grande mídia, ou seja, a cultura POP, acaba por apropriar-se das mais diversas culturas. Na visão de Humberto, nem mesmo o tradicionalismo católico seria poupado, pois, como é dito na canção “o POP não poupa ninguém”.
A posteriori, é preciso lembrar, dessa forma, que práticas de apropriação cultural aparentemente inofensivas atualmente, podem remeter a traumas passados de determinadas etnias, tomando assim um caráter singular e ofensivo. A prática de “black face”, por exemplo, muito usada no período colonial americano para satirizar os negros escravizados, carrega um simbolismo particular após tais eventos. Nesse ponto de vista, é perceptível que a carga histórica impacta na simbologia remetida a atos de imitação e apropriação cultural.
É perceptível, portanto, que apesar dos tempos de integração cultural, a apropriação de tradições étnicas ainda possui caráter negativo e, por vezes, ofensivo. Faz-se necessário, portanto, a implementação, por parte do MEC, junto à Secretaria de Cultura, de palestra intitulada “Os perigos da apropriação cultural”. Performando tal palestra em salas de aula dos níveis fundamental e médio, seria possível conscientizar jovens sobre apropriação cultural e ir em direção a uma sociedade mais integrada.