Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 25/05/2020
Iggy Azalea, rapper australiana e branca, foi criticada por se popularizar em um ritmo tradicionalmente negro. Acontecimentos como esse despertam debates acerca da apropriação de culturas e da sua aprovação, principalmente a respeito de identidades historicamente excluídas. Pois, se por um lado a interação entre os povos permite uma troca de costumes cada vez mais intensa, paradoxalmente, a desigualdade de expressão e o preconceito também são uma realidade. Dessa forma, é crucial encontrar soluções para o embate dessas incorporações.
Em primeira abordagem, o apoderamento de ideias e comportamentos é proporcional ao encurtamento da distância entre os povos. Isso porque, desde o processo de colonização, por meio da expansão marítima, até a atual era tecnológica, em que o mundo se conecta mediante redes virtuais, o constante desaparecimento de barreiras geográficas, que se configura como uma “Aldeia Global”, segundo o filósofo Marshall McLuhan, fez com que as sociedades alcançassem características cada vez mais cumulativas e integradas, o que torna inevitável a anexação de costumes como a musicalidade, as vestimentas e a culinária. No entanto, mesmo que favoreça a diversidade estética e comportamental dos grupos que os incorporam, por outro lado, contribui para o detrimento e esquecimento da simbologia ancestral que possuem para as culturas de origem.
Diante disso, o mais preocupante é que essa apropriação é acompanhada por uma constante discriminação histórico-racial. A imposição da cultura européia no mundo, fortalecida pela teoria do “darwinismo social” ,de Herbert Spencer, que considera a dominação de determinadas sociedades, faz com que algumas culturas, como a africana, sejam consideradas inferiores e a sua execução pela população de origem seja digna de opressões. Prova disso, até a década de 1930, no Brasil, a prática do candomblé e seus rituais, como o uso de turbantes, era proibida por lei. Entretanto, hoje, a adoção de tais rituais pela população “branca” é motivo de admiração, principalmente, por influência midiática. Logo, percebe-se que a desigualdade da aceitação se faz presente.
De modo exposto, é fundamental encontrar medidas que modifiquem o confronto acerca dessa incorporação. Para tal, é importante que a Organização das Nações Unidas, ao estimular a diversidade cultural, aprimore a aplicação normativa, mediante regra para a apropriação de costumes, de modo que prevaleça o respeito ao significado ancestral para seus respectivos povos. Ademais, a mídia, por meio da internet e das redes sociais, precisa estimular a expressividade igualitária, por meio a criação de debates virtuais , a fim de fornecer maior visibilidade à atuação cultural própria das populações de origem. Dessa forma, tal discussão se manterá estável.