Discussão acerca da apropriação cultural

Enviada em 15/06/2020

Na série ‘‘Cara Gente Branca’’ é contada, em vários episódios, histórias sobre um grave entrave comum no Brasil: a apropriação cultural. Nesse sentindo, na sociedade contemporânea brasileira, tal problemática, apesar de ferir a cultura de determinadas minorias, é recorrente devido a comercialização da cultura. Com efeito, esse cenário é fruto tanto de uma processo histórico quanto da apropriação cultural realizada pelo capitalismo.

Em primeiro plano, é fundamental destacar que toda a história do Brasil é marcada por apropriações culturais, desde a chegada dos portugueses até a contemporaneidade. Percebe-se, tal fato, na literatura barroca brasileira, do século XVI, que se apropria de aspectos culturais indígenas para facilitar a sua colonização e eliminar aos poucos ideais indesejados dessas minorias étnicas. De acordo com a teoria Habitatus, de Pierre Bourdie, a sociedade incorpora comportamentos do passado e os reproduz em suas ações. Nesse viés, analisa-se o carácter histórico responsável pela reprodução da apropriação cultural na modernidade.

Além disso, é importante salientar que o capitalismo criou uma indústria cultural, termo sociológico criado pela Escola de Frankfurt na Alemanha, isto é, o capitalismo se apropria de determinadas culturas visando apenas o lucro e, consequentemente é responsável pela perda da ideia de pertencimento desse povo. Dessa maneira, tal fato ficou evidente, em 2019, durante um desfile da Vogue, uma das maiores empresas de moda contemporânea, sobre moda africana na qual foi protagonizado por pessoas brancas e europeias. Desse modo, é perceptível que o capitalismo se apropria de culturas sem se preocupar na integridade desse  importante elemento.

Portanto, é válido salientar que a comercialização de aspectos culturais aliado a um processo histórico corroboram para a recorrência da apropriação cultural. Por isso, é imprescindível que o Governo Federal, como instância máxima do Poder Executivo, criar museus próprios de determinadas culturas, por meio do repasse a secretárias e municípios, afim de preservar a cultura e a ideia de identidade de cada povo.