Discussão acerca da apropriação cultural

Enviada em 17/06/2020

Época de carnaval, todos os anos, foliões vão as ruas fantasiados ou utilizando símbolos das mais diversas culturas, como a indígena, por exemplo. Uma simples tradição que no entanto vira polêmica para aqueles que não aprova essa prática, alegando ser desrespeitosa e de pertubação estereótipos, acunhando-se de apropriação cultural. Todavia, esses se esquecem que o uso desses símbolos é um fenômeno não apenas cultural, porém de grande benefício a sociedade, no contexto de forma geral.

Primeiramente, é importante ressaltar que a cultura de um povo não é algo fechado e restrito, pelo contrário, é um processo dinâmico, sujeito a mudança no decorrer do tempo. O intercâmbio cultural entre povos é um fenômeno que permeou toda a história cultural das civilizações. A cultura ocidental é resultado das trocas culturais que se origina no meio do período helenístico. Outro exemplo se dá na formação da rica e diversificada cultura brasileira, constituída sobre o tripé dos povos indígenas, africanos e europeus.

Além disso, o uso desses símbolos representa uma forma de  preservação de memória histórica de um povo. Durante o carnaval os blocos de rua e desfile de escolas de samba cumprem esse papel, homenageando as diversas culturas por meio dos figurinos e enredos com mensagens de união e tolerância, promovendo assim um belo espetáculo. Outro exemplo é a capoeira, uma prática originada dos escravos que se difundiu no país e hoje representa a luta daquele povo contra o regime escravista. Dessa forma, a assimilação de culturas presentes nessas manifestações promove inclusão e memória históricas desses povos.

Desse modo, fica claro que a crítica negativa ao uso de fantasia não faz sentidos diante a da natureza espontânea desse processo. Ademais, não considera a importância da apropriação cultural à medida que contribui para o amadurecimento de uma sociedade. Sendo assim, os foliões podem celebrar ainda  mais, sabendo que a fantasia de índio não é instrumento de depreciação, mas sim de representatividade da cultura de seu povo.