Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 11/08/2020
É inquestionável que, na contemporaneidade, a diversidade racial tem cada vez mais se mostrado presente na realidade brasileira. Grupos que antes não eram habituados a certos estilos musicais, artísticos e de modas, hoje se mostram usuários demasiados da cultura dominada. O problema surge quando a cultura dominante apropria-se, de maneira aproveitadora, do comportamento de grupos minoritários. Além disso, no momento em que os elementos que tomam posse da cultura são vistos com bons olhares na sociedade, enquanto os “donos” dessa cultura sofrem.
É importante analisar, a princípio, que a apropriação de outras culturas causa a perda do significado e da simbologia. Assim, o capitalismo ameaça a existência dessa noção de pertencimento. Tais ações contribuem para a banalização da luta por visibilidade de grupos que são, historicamente, oprimidos, como os negros e os índios. Essa expropriação acontece, por exemplo, com os “olhos de raposa” que é um procedimento estético que virou tendência, mas já as pessoas que têm os olhos puxados sofrem com bullying, ao ouvir frases do tipo “abre esses olhos”.
Em adição, a desigualdade no contexto brasileiro gera olhares tortos para aqueles indivíduos da cultura dominada, enquanto os que se apropriam da cultura minoritária são taxados como alternativos, hippie e modernos, isto é, brancos usando roupas da cultura afro não são apontados na sociedade como elementos malignos, enquanto isso, pretos utilizando a mesma vestimenta são oprimidos, agredidos e, em casos extremos, assassinados.
Fica evidente, portanto, a importância da resolução desse problema. Sendo assim, o Ministério da Cultura (MC) deve realizar campanhas de conscientização acerca da pluralidade cultural do Brasil, e a importância de preservá-las, a fim de informar e quebrar paradigmas preconceituosos sobre a cultura alheia que está presente na sociedade e, dessa forma, evitar a expropriação cultural.