Discussão acerca da apropriação cultural

Enviada em 13/08/2020

Em 2016 a cantora Anitta foi atacada nas redes sociais após a gravação de um clipe onde usava tranças no cabelo. Os ataques acusavam a celebridade de se apropriar da cultura negra e, dessa forma, a colaborar com o esquecimento sobre a luta e tradição de todo um povo. Todavia, a apropriação cultural não é um impasse, já que com a globalização os povos de todas as etnias tendem a sofrer uma intensa integração política, econômica e, consequentemente, cultural. Em contra partida à globalização, o real problema se encontra na xenofobia, preconceito e racismo, sendo necessário o debate acerca da apropriação e os verdadeiros problemas por trás dessa.

Segundo Mario Murteira, economista e cientista social, a globalização se iniciou a partir da Expansão Comercial no século XV e XVI, já que possibilitou a integração de várias nações e, dessa forma, de culturas distintas, abrindo espaço para o multiculturalismo. Tal posicionamento considera natural a fusão de vários elementos culturais, já que coexistem em um mesmo território. Por conseguinte, a apropriação cultural é também um processo natural de integração de culturas. Não obstante, o verdadeiro impasse é utilizar elementos que simbolizam movimentos de resistência de um povo e continuar com um olhar preconceituoso sobre tal.

Sob o mesmo ponto de vista, a atriz Isabella Santoni se desculpou nas redes sociais após utilizar elementos pertencentes à cultura negra, como tranças e dreadlocks. Decerto a atriz se apropriou de outra cultura, todavia o problema é outro: os povos negros sofrem ainda hoje com o racismo, problema agravado pelo racismo e xenofobia pós escravidão e utilizam elementos oriundos da cultura africana como um simbolo de luta e resistência à opressão. Dessarte, deve-se atentar às formas de preconceito pelas quais diferentes povos passam, buscando a integração destes e não apenas de seus elementos culturais, já que o próprio fato se se apropriar já desmonstra união de culturas diferentes.

Tendo em vista o real impasse por trás do debate acerca da apropriação, é necessário um combate fervoroso a qualquer forma de preconceito étnico, religioso ou cultural. Dessa forma, urge que o Ministério da Educação, por meio da inserção de matérias que abordam diferenças culturais na Base Comum Curricular Brasileira, promova tais debates dentro da sala de aula desde o ensino fundamental. Somente dessa forma os impactos gerados pelo preconceito serão gradativamente minimizados e todas as culturas se integrarão, pois, conforme Gabriel, o Pensador, “Na mudança do presente a gente molda o futuro.”