Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 22/09/2020
No final do século XVIII, o Mercantilismo possibilitou a troca de mercadorias e de elementos culturais entre os continentes. Hodiernamente, com a globalização, a apropriação de símbolos culturais ocorre de maneira rápida e dinâmica, oportunizando maior diversidade. Entretanto, apesar dessa apropriação ter fatores benéficos, ela pode gerar preconceitos. Dessa maneira, é imperiosa a análise da falta de reconhecimento das culturas marginalizadas e da sua ligação com o legado histórico no Brasil.
A priori, a omissão no reconhecimento dos símbolos culturais retira a historicidade destes, que é substituída por esteriótipos. Conforme Kant sobre o Imperativo Categórico, o ser humano deve buscar a sua autonomia ética para não submeter as suas percepções pessoais sobre o outro. Da mesma forma, a apatia sobre as origens de elementos culturais subordina um determinado grupo, que por não ter o verdadeiro significado da sua cultura reconhecida, torna-se invisível e excluído. Logo, quando uma coletividade se apropria de símbolos, utilizando-o fora da sua concepção original, cria esteriótipos e também negligencia a história destes e isso pressupõe a falta do mínimo ético comum katiano.
Ademais, essa ausência de autonomia ética tem como causa o legado histórico do Brasil. Como expõe Jacques Derida, as identidades binárias se caracterizam pelo discurso padrão, que é dominante e o desviante, o qual pertence aos subalternos. Com isso, no país, ainda, impera o discurso do colonizador, que é eurocêntrico, porém quando ele se apropria dos aspectos da cultura afrodescente (desviante), por exemplo, há o reconhecimento destes como bons, gerando assim um paradoxo. Desse modo, com a manutenção da apropriação cultural por meio dessa fala padrão, há a redução no ativismo social das minorias pela luta na conquista de direitos, uma vez que sua identidade é ditada por terceiros.
Infere-se, portanto, a necessidade de reconhecer os aspectos culturais que formam o Brasil para depor preconceitos oriundos da apropriação cultural errônea. Em razão disso, o Ministério da Educação deve promover campanhas informacionais através de verbas da União. Isso pode ser feito a partir da contratação de influenciadores digitais com profissionais especializados, como antropólogos, para informar a população nas redes sociais, fazendo eventos onlines, como, por exemplo: lives, congressos, simpósios e debates e, assim, esclarecer o tema em questão. Dessa forma, espera-se que a apropriação cultural seja benéfica na troca de saberes de modo a ampliar a diversidade.