Discussão acerca da apropriação cultural

Enviada em 26/09/2020

A série “Cara Gente Branca” retrata, em vários episódios, uma problemática presente no Brasil: a apropriação cultural. Nesse sentido, atualmente, vários brasileiros sofrem com permanência desse ato, que ainda é tratado como um tabu. Decerto, fatores como a expropriação cultural e o racismo contribuem para o agravamento dessa situação.

É importante analisar, a princípio, que a apropriação de outras culturas causa a perda do significado e da simbologia de determinados adereços e objetos. Assim, o capitalismo ameaça a existência dessa noção de pertencimento, haja vista que há a comercialização demasiada desses ícones. Tais ações contribuem para a banalização da luta por visibilidade de grupos que são, historicamente, oprimidos, como os negros e os índios. Essa expropriação acontece, por exemplo, em desfiles de moda com temática africana, sem a presença de africanos, como aconteceu com a “Vogue”, importante empresa de moda, em 2019.

Ademais, o racismo presente na sociedade brasileira ajuda a agravar a apropriação cultural. Segundo a escritora Leci Brandão, “a apropriação cultural é uma forma racista de dizer que isso ou aquilo não pode ser de negro, mas brasileiro ou multicultural”. Certamente, o Brasil é um país miscigenado, mas as posições de privilégios estão presentes na nação. Pode-se observar esse fato quando uma mulher negra com turbante é vista, socialmente, de maneira preconceituosa, enquanto uma mulher branca que o usa é vista como um ícone da moda afro-brasileira. Fica evidente, portanto, a importância da resolução desse problema.

Sendo assim, o Ministério da Cultura (MC) deve realizar campanhas de conscientização acerca da pluralidade cultural do Brasil, e a importância de preservá-las, a fim de informar e quebrar paradigmas preconceituosos sobre a cultura alheia que está presente na sociedade e, dessa forma, evitar a expropriação cultural. Além disso, urge que o Ministério da Educação, com a ajuda do MC, promova constantes debates nas mídias sociais e escolas, por meio da apresentação da relevância que alguns ícones têm para determinadas etnias, com o fito de firmar uma cultura de respeito na nação. Feito isso, a problemática apresentada em “Cara Gente Branca” não será observada no Brasil.