Discussão acerca da apropriação cultural

Enviada em 16/10/2020

A apropriação cultural, por mais indefesa que pareça, precisa ter mais visibilidade quanto as suas consequências, como o fato de que pode apagar e silenciar a história de um povo, a partir do momento em que seus valores passam a ser compartilhados com o mundo de maneira não simbólica e capitalizada. Se apropriar da cultura alheia, deve ser de forma consensual e consciente do valor que ele possui.

Os filósofos e sociólogos Theodor Adorno e Max Horkheimer, criaram o termo indústria cultural, definido como a homogeneidade dos gostos e interesses pessoais para que produtos sejam adquiridos sem devida reflexão acerca do seu significado. Diante disso, pode ser feita a relação entre essa indústria e a apropriação cultural, pois empresas de comércio se apropriam de costumes de certa sociedade e o reduzem a simples itens sem valores simbólicos, apenas com valor de mercado. E por mais que o responsável por capitalizar cultura, lucre com as vendas, o povo a que pertencem esses elementos, não recebem nenhuma indenização.

A comunidade negra, mesmo que a escravidão do seu povo tenha acabado em 1888, ainda sofre muito preconceito na atualidade, como a opressão de que são vítimas ao usarem costumes de sua cultura, considerado, pelo seu povo, como símbolos de resistência à sociedade opressora da época antes da abolição da escravatura. A problemática se estende visto que esses mesmos símbolos, enquanto nos negros, criadores do item, são vistos de forma negativa e marginalizada, nos brancos, que se apropriaram da cultura, já possuem uma visão positiva e aceita, o que deixa claro como o racismo permanece em pleno século XXI e a resistência também.

Para resolver esse impasse, é necessário que o governo, por meio do MEC, dê espaço e visibilidade para que esses povos oprimidos possam contar a sua história e o significado de seus costumes, ao resto da sociedade, pois assim todos saberão o valor de suas apropriações.