Discussão acerca da apropriação cultural

Enviada em 26/10/2020

No limiar do século XIX, com o início das dispersões de teorias científicas, houve a elaboração do princípio da Seleção Natural (termo nomeado por Darwin), consiste dizer que os organismos mais aptos a viver em determinado habitat evoluirão. Assim, Darwin apenas analisou e fez referência à vida biológica. No entanto, inúmeras civilizações adotaram essa ideia, como também diversas questões para justificar a hierarquização cultural. Porém, na atualidade, contraditoriamente, apropriam-se dessas culturas, denominadas na época, como inferiores. Desse modo, os símbolos considerados resistência para as comunidades são subvertidos pelo mercado capitalista, a fim de reter lucro.

Primeiramente, é relevante abordar que o complexo de tradições, crenças e costumes (incluindo a arte, leis e hábitos) são conceitos que definem a cultura, de modo a criar uma identidade nos grupos sociais. Nesse sentido, a sensação de pertencimento em um conjunto corrobora para a representatividade e resistência de muitas comunidades minoritárias, como as indígenas e as de origens africanas. Nessa linha de raciocínio, inúmeras civilizações foram marginalizadas diante das correntes científicas e preconceitos existentes na história. Dentre outras consequências, a hierarquização cultural favoreceu a permanência do esteriótipo de que essas convenções são “sujas” e “hediondas”. Diante disso, a apropriação cultural apresenta a controversa de enaltecer as pessoas majoritárias por utilizar hábitos iguais às periféricas.

Por outro lado, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, “na sociedade de consumidores, ninguém pode se tornar sujeito sem virar mercadoria, e ninguém pode manter sua subjetividade sem carregar as capacidades exigidas de uma mercadoria rendável”. Nesse sentido, o consumismo fomenta a descontextualização de elementos em prol da comercialização. Logo, a princípio, o capitalismo gera a flexibilização de conceitos históricos em fator da acumulação. Sendo assim, trata-se do desconhecimento de símbolos que expressam a resistência de grupos minoritários causados pelo consumismo. Diante dessa conjuntura nota-se ser substancial a elucidação dos mecanismos para solucionar a entrave.

Portanto, é necessário mitigar essa problemática. Cabe ao Ministério da Cultura, juntamente à mídia, por meio de campanhas publicitárias em redes sociais, criar vídeos lúdicos e postagens que expliquem sobre o que é apropriação cultural e suas consequências, para que assim todas as pessoas tenham esclarecimento dos hábitos e vestes que possui. Logo, elas podem conscientizar-se sobre esse tema e refletir sobre os símbolos que os costumes praticantes significam para a história de cada povo, a fim de regredir o preconceito existente com a minoria, afastando-se, então, do cenário do século XIX.